Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



O medo.

por FJV, em 09.02.09

 

Parece que, a avaliar pelos relatos da imprensa, há gente «com medo» no PS e pessoas que prezam que haja «medo no PS». Ambas as posições não merecem muito crédito. O medo, em democracia, combate-se falando alto e bom som, coisa que não se podia fazer durante a ditadura, com imprensa silenciada. Se é medo de «perder o emprego», talvez aconteça que o emprego tenha sido oferecido em troca de silêncio (regra de ouro do sistema «job for the boys»), e deve (num rasgo de coragem pessoal, muito admirável) denunciar-se publicamente, mesmo se se perder o emprego (logo veremos); se é medo de violência física, tipo «eles batem-me pela calada da noite» ou «dão-me um tiro no joelho», pois que se denuncie abertamente, publicamente, diante do Presidente, do PGR, da imprensa -- com provas, papéis, documentos, ameaças visíveis e invisíveis. Quem está aí, entre gente crescida, que tenha medo? Medo de não ter subsídio ou dos chefes na repartição? Medo de Augusto Santos Silva? Que mariquinhas.

O medo é um dos inimigos da democracia; deve combater-se com dignidade e voz à altura. Apregoar aos sete ventos que «estou cheio de medo» não é uma garantia do denunciante; é uma amostra de mariquice. Medo? Não me lixem. Se têm medo, falem.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De Will Parry a 10.02.2009 às 02:05

Ah, mas eu faço questão de comentar o texto dessa pessoa. Amigo, eu acabo de ler o teu texto no exato momento em que acabo de escrever um que trata do mesmo problema, mas meu maior inimigo é outro.

Eu também me irrito com o exceço de medo deste nosso povo, mas já começo a localizar a origem disto. Pense no seguinte: uma floresta existe a milhões, bilhões de anos; a humanidade existe há cerca de uns 4 milhões; a presença humana na referida floresta, há alguns milhares; a civilização ao redor há uns 500 anos. Diariamente centenas de pessoas fazem trilha na floresta em questão. A televisão não faz sequer 1 comentário sobre as árvores, as flores, os animais ou o bem estar pelo qual aquelas pessoas saíram daquela mata depois de um contato com a natureza. No entanto, certo dia, uma mulher é estuprada por um cara nessa floresta. A mídia corre para o local, urubus que são. Noticiam da forma mais sensacionalista possível. Os milhões de brasileiros de alma obesa vêem aquilo e sorridentes acham que conseguiram a justificação para suas vidas medíocres. Trancafiados dentro de suas casas, comodistas, engordando seus corpos e envelhecendo seus espíritos diariamente, feito frangos de granja, eles anunciam aos 4 ventos aqueles velhos chavões que eu já to cansado de ouvir: "o mundo é miserável", "o homem é mau por natureza", "isto é falta de Deus", "esta geração é perdida", etc.
Uma única mulher e um único estuprador! Um único dia, dentre milhões que aquela floresta já viveu. Suficiente para que milhões acreditem que aquela floresta é o lar de uma boa dezenas de "homens perturbados que estupram mulheres indefesas". E então uma geração de crianças é criada distante das trilhas.
A mesma geração de crianças também é criada dentro de casa porque a televisão convenceu esse bando de burros de que em cada rua acontece um milhão de crimes por hora. A mesma geração, raramente pode ir à praia porque a televisão convenceu os pais de que as ondas já mataram centenas.

Amigo, eu te digo: somos uma geração de homens e mulheres criados feito codornas: presos, sendo cevados diariamente para sofremos alguma forma de abate depois. Nossa vida é uma grande masturbação: imaginamos grandes prazeres que nascem, crescem e morrem apenas em nossas imaginações sem que os vivamos na realidade porque morremos de medo do que há do outro lado dos nossos portões.

Eu digo a você, meu amigo: você está de parabéns pelo que escreveu. Se eu puder acrescentar algo, digo: o problema todo é que uma população que não teve acesso à crítica, teve acesso à tecnologia.

O resultado você já sabe: frangos de abate, nada mais! Os mesmos que diariamente dizem que "o Brasil é um galinheiro".

Comentar post




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.