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O medo.

por FJV, em 09.02.09

 

Parece que, a avaliar pelos relatos da imprensa, há gente «com medo» no PS e pessoas que prezam que haja «medo no PS». Ambas as posições não merecem muito crédito. O medo, em democracia, combate-se falando alto e bom som, coisa que não se podia fazer durante a ditadura, com imprensa silenciada. Se é medo de «perder o emprego», talvez aconteça que o emprego tenha sido oferecido em troca de silêncio (regra de ouro do sistema «job for the boys»), e deve (num rasgo de coragem pessoal, muito admirável) denunciar-se publicamente, mesmo se se perder o emprego (logo veremos); se é medo de violência física, tipo «eles batem-me pela calada da noite» ou «dão-me um tiro no joelho», pois que se denuncie abertamente, publicamente, diante do Presidente, do PGR, da imprensa -- com provas, papéis, documentos, ameaças visíveis e invisíveis. Quem está aí, entre gente crescida, que tenha medo? Medo de não ter subsídio ou dos chefes na repartição? Medo de Augusto Santos Silva? Que mariquinhas.

O medo é um dos inimigos da democracia; deve combater-se com dignidade e voz à altura. Apregoar aos sete ventos que «estou cheio de medo» não é uma garantia do denunciante; é uma amostra de mariquice. Medo? Não me lixem. Se têm medo, falem.

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12 comentários

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De Carlos F. Silva a 17.02.2009 às 11:11

É fácil falar de barriga cheia... Gostava de o ver dizer o mesmo se tivesse de lutar todos os dias pela sobrevivência. É claro que o «medo» dos boys é o medo da cobardia, de poder ficar sem o tacho. Mas o outro, meu caro, o medo de quem não tem padrinhos, nem lugares-arranjados-por-amigos-bem-colocados-na-vida - o medo, afinal, de quem não tem mais do que a sua dignidade humana - esse, Francisco, não é coisa de «mariquinhas». É apenas uma ilustração (feia, muito feia) da apagada e vil tristeza a que chegou este país de marinheiros...

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