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Carmen.

por FJV, em 09.02.09

 

Na sua monumental biografia de Carmen Miranda, Ruy Castro estabelece, em definitivo, que a cantora nasceu em Marco de Canavezes. Muitos brasileiros não gostaram – Carmen (a voz, o corpo, o menear dos quadris, os dentes brancos) é um emblema nacional. Têm razão: o transatlântico que transportava Carmen devia ter partido mais cedo para que ela nascesse no Rio, a que pertence. Portugal não tem muito a ver com aquela mulher luminosa cheia de aventuras, sexo, malícia e divertimento. Ficaria, como no poema de O’Neill («Um Adeus Português»), submetida à melancolia cinzenta da pátria. Aquela malícia só seria possível nos trópicos, aquela voz só brilharia mais alto com os músicos do outro lado do mar. Nasceu em Portugal; mas há cem anos, nos limites da velha pátria, ela estaria condenada a um destino menos feliz.

[No Correio da Manhã]

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7 comentários

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De MS a 09.02.2009 às 02:31

Sim, concordo. De facto, o Brasil é muito melhor que Portugal. São os trópicos...
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De PALAVROSSAVRVS REX a 09.02.2009 às 08:54

O efeito «Carmen» está em aberto e operante cada vez que um português se tropicaliza. Só assim, deslocalizando o seu lastro seco e sisudo para revertê-lo em alegria e calor humanos, renasce brasileiro qualquer português.
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De luis eme a 09.02.2009 às 11:25

sem qualquer dúvida, Francisco...
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De Teatro Plástico a 09.02.2009 às 22:58

Será que FJV leu a "monumental" biografia?...
Quem estudar a vida e personalidade de Carmen com alguma atenção e rigor percebe que ela era muito mais portuguesa do que o folclore tropicalista deixa adivinhar e que a alegria esfuziante escondia uma mulher humilde, devota e sofrida com uma imensa nostalgia pela pátria mítica a que, apesar dos projectos, nunca voltou.
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De FJV a 09.02.2009 às 23:19

Saudade é uma coisa; toda a formação e adolescência foram cariocas, Teatro Plástico. E li a monumental </>biografia, sim.
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De Teatro Plástico a 11.02.2009 às 18:21

O seu comentário está correctíssimo e só temos que agradecer aos deuses que Carmen tenha abandonado Portugal atempadamente e assim escapado a esta tão apagada e vil tristeza. Mas estando desde há mais de um ano a pesquisar este tão fascinante ícone universal para um espectáculo que (esperamos) estreará em Outubro torna-se evidente o quão portuguesa Carmen era e como também ela secretamente trouxe pela mão "essa pequena dor à portuguesa, tão mansa, quase vegetal".
P.S. Quanto ao "monumento" de Ruy Castro, se virmos e pesquisarmos bem as coisas, não é assim tão fenomenal
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De candida a 19.02.2009 às 00:26

nunca gostei muito dela enquanto artista.

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