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Na sua monumental biografia de Carmen Miranda, Ruy Castro estabelece, em definitivo, que a cantora nasceu em Marco de Canavezes. Muitos brasileiros não gostaram – Carmen (a voz, o corpo, o menear dos quadris, os dentes brancos) é um emblema nacional. Têm razão: o transatlântico que transportava Carmen devia ter partido mais cedo para que ela nascesse no Rio, a que pertence. Portugal não tem muito a ver com aquela mulher luminosa cheia de aventuras, sexo, malícia e divertimento. Ficaria, como no poema de O’Neill («Um Adeus Português»), submetida à melancolia cinzenta da pátria. Aquela malícia só seria possível nos trópicos, aquela voz só brilharia mais alto com os músicos do outro lado do mar. Nasceu em Portugal; mas há cem anos, nos limites da velha pátria, ela estaria condenada a um destino menos feliz.
[No Correio da Manhã]
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