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O Presidente.

por FJV, em 30.12.08

Quase nada a dizer: Cavaco esteve à altura, denunciando uma lei mal feita, e explicando-o com clareza aos portugueses. Consequências? Temos um ano pela frente. Talvez agora se perceba (sobretudo os brincalhões do costume, de piada fácil sobre Cavaco) o que significa «cumprir a Constituição». Todos saem mal do retrato: o PS, que tomou por guerra uma birra para «meter o presidente na ordem», lutou por uma lei inconstitucional; José Sócrates, que o permitiu deslealmente, apoiou o comportamento irresponsável de um grupo de arrivistas que julga que a maioria absoluta permite fazer aprovar leis iníquas; o PSD, que inclusive proibiu deputados de votar contra a lei, foi desleal com o Presidente e comportou-se, no Parlamento, como uma múmia sem dignidade. Contra tudo isto, o Presidente foi mais do que claro: está aberto o jogo. Temos quem nos defenda e quem defenda a democracia.

 

PS - Caro Eduardo: não podes alterar a qualidade dos eleitores de Cavaco conforme as circunstâncias, nem interpretar a sua opinião de acordo com as perguntas de Mário Crespo, essas sim, dignas da Somália.

 

P.S.2 - Ler o texto de João Gonçalves.

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10 comentários

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De Ricardo a 30.12.2008 às 00:57

Todos = PS e PSD?
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De Eduardo Pitta a 30.12.2008 às 10:11

Por certo que não, Francisco. Não se trata de alterar a qualidade dos eleitores de Cavaco Silva conforme as circunstâncias. Trata-se (segundo o meu ponto de vista) de verificar que nem todos esses eleitores compreenderam, à partida, que Cavaco Silva não era homem de jogos de poder (como Eanes), nem de entorses à leitura da Constituição. Infelizmente, o Crespo ilustrou da pior forma possível o pensamento desse sector "caudilhista". E, sim, todos saem mal do retrato.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 30.12.2008 às 12:58

Com tanta gente e instituição a ficar mal na fotografia, não será, Francisco, o caso de o Regime estar caduco?

Da política mensch nada mais que isto podemos esperar.

Abraço
joshua
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De Amêijoa Fresca a 30.12.2008 às 15:33

A classe política reflecte Portugal, /
um país muito atrasado, /
a tristeza é geral /
como muito bem canta o fado.

Assuntos bem sérios para discutir, /
como a nossa falta de riqueza, /
mas, neste país sem advir /
os políticos revelam pouca esperteza.

O problema constitucional, /
em que o Estatuto dos Açores está centrado, /
originou esta atitude presidencial /
de um político ponderado.
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De Anónimo a 30.12.2008 às 15:34

Sim, sim, estamos todos mais descansados. O Presidente da República, usando os seus poderes constitucionais, ralha com o governo na televisão. A democracia está salva.

Peter
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De Pedro Viseu a 30.12.2008 às 18:10

Só não percebo porque motivo sua Exª. o Presidente da Republica não pediu a fiscalização preventiva da norma, evitando assim o folclore com que nos presenteou e as dúvidas que entretanto surgiram sobre as suas efectivas e reais competências.
Está-se mesmo a ver que o seu objectivo é claramente político e demonstrativo das pressões a que tem estado sujeito por aqueles que, sem poder, estão perdidos na democracia.

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De Manuel Leão a 30.12.2008 às 18:24

Sobre este assunto, estou de acordo com a posição do Presidente, logo desde o início.

Pena foi que Cavaco Silva não tivesse tido o mesmo empenhamento, aquando daquelas trapalhadas "inconstitucionais" que se passaram na Assembleia Regional da Madeira.
E é por isso que acho a última frase do post " manifestamente exagerada.
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De martins a 30.12.2008 às 19:44

O Princípio da Arrogância “Democrática”

Tal como explicámos aqui, o artigo 114º do Estatuto dos Açores - “Os órgãos de governo regional devem ser ouvidos pelo Presidente da República antes da dissolução da Assembleia Legislativa e da marcação da data para a realização de eleições regionais ou de referendo regional, nos termos do n.º 2 do artigo 229.º da Constituição.”-, que levou Cavaco Silva aos arames, é praticamente uma cópia do nº 2 do artigo 229º da Constituição da República:
“Os órgãos de soberania ouvirão sempre, relativamente às questões da sua competência respeitantes às regiões autónomas, os órgãos de governo regional.”

Como se vê, o único crime do artigo 114º do Estatuto dos Açores foi lembrar que o Presidente da República, ainda que se chame Cavaco Silva, não é Deus, é apenas um órgão de soberania, como são a Assembleia da Republica, o Governo e os Tribunais.
Parece que o próprio não gostou que lhe lembrassem esse pormenor, preferindo reincidir em comunicados bizantinos, em vez de pedir ao Tribunal Constitucional que se pronunciasse sobre o artigo que lhe causou mais engulhos do que a fava de um bolo-rei.
Porém, se esta atitude não se estranharia em comentadores que têm por profissão alimentar guerrilhas entre órgãos de soberania, é no entanto intolerável em quem tem por obrigação contribuir para a estabilidade política do país.
E não há princípios que valham para a justificar.

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De cinyanja a 30.12.2008 às 21:48

Não sei se a lei é rasca ou não e se o Presidente tem razão para afrontar governo, ps , oposição e governo regional. O que dá para perceber é que a coragem e determinação do presidente só sai da toca porque ele sabe que não vai ser enxovalhado por todos eles. Mostrar que os tem no sitio e aí sim todos acreditaríamos na sua frontalidade e defesa da República aquando da visita à Madeira. O Sr. Presidente não é parvo, o que só esclarece o medo que ele sempre teve do Dr. Alberto.
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De a presença das formigas a 31.12.2008 às 21:04

"Temos quem nos defenda e quem defenda a democracia."

Lá vou eu perder mais uma aposta:
O silêncio do Presidente sobre o BPN e as negociatas à custa do Estado. (http://apresencadasformigas.blogspot.com/2008/12/o-silncio-do-presidente-sobre-o-bpn-e.html)

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