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Turbilhões.

por FJV, em 14.10.08

Vivemos em turbilhão. Depois da “onda de criminalidade violenta” durante o Verão, veio a crise financeira no Outono, com a questão dos combustíveis pelo meio. Não sabemos o que nos reserva o Inverno (Steinbeck escreveu “O Inverno do Nosso Descontentamento”), mas de uma coisa podemos estar certos: dificilmente iremos encarar o futuro com a mesma leviandade. As crises obrigam-nos a repensar o modo de vida e a forma como lidamos com as coisas banais: o preço da bica, as compras de Natal, a roupa do ano passado, os gestos menores do dia-a-dia. Há quem se lamente de que, assim, ficamos mais conservadores. Se for verdade, é uma vantagem. Os ‘optimistas’ têm mais desilusões; os ‘pessimistas’ estão mais preparados para os dias que aí vêm. É uma verdadeira lição de teoria política.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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6 comentários

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De henedina a 19.10.2008 às 00:00

Os ‘optimistas’ têm mais desilusões; os ‘pessimistas’ estão mais preparados para os dias que aí vêm.
Acho o seu post oportuno porque estava exactamente a pensar por estes dias que há 2 formas de ser feliz. Baixar as expectativas e então "pouco" basta para nos fazer felizes. Ou ter uma alta expectativa e ser profundamente infeliz se ela não se concretiza.
Na adolescencia li um poeta frances que gostaria de reencontar mas não sei quem é que dizia "quando temos um sonho não nos devemos contentar com um mais pequeno".
Esta foi sempre a filosofia da minha vida, no dia 17 desisti do sonho grande. Estava na sua cidade no Porto e estava a lua enovelada mas cheia, gosto de noites de lua cheia, tinha tido dias muito dificeis e estava extremamente cansada e queria passear à noite na ribeira, ter um momento zen, e passeei das 24h as 1h pela ribeira e naquele ambiente realmente lindo, tocando com a ponta de lingua e esmagando soro fisiologico que me escorria pela face, desisti.
Não é "contentar com um sonho menor" aprendi que é saber desistir de um sonho, acabar com uma fantasia, preocupar-me em ter pessoas de carne e osso que beijem, abraçam e passeem na ribeira numa noite de lua cheia.
Aplicado a crise, ser pessimista é não perder em acções, porque não se jogou.

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