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Turbilhões.

por FJV, em 14.10.08

Vivemos em turbilhão. Depois da “onda de criminalidade violenta” durante o Verão, veio a crise financeira no Outono, com a questão dos combustíveis pelo meio. Não sabemos o que nos reserva o Inverno (Steinbeck escreveu “O Inverno do Nosso Descontentamento”), mas de uma coisa podemos estar certos: dificilmente iremos encarar o futuro com a mesma leviandade. As crises obrigam-nos a repensar o modo de vida e a forma como lidamos com as coisas banais: o preço da bica, as compras de Natal, a roupa do ano passado, os gestos menores do dia-a-dia. Há quem se lamente de que, assim, ficamos mais conservadores. Se for verdade, é uma vantagem. Os ‘optimistas’ têm mais desilusões; os ‘pessimistas’ estão mais preparados para os dias que aí vêm. É uma verdadeira lição de teoria política.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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6 comentários

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De Animal a 15.10.2008 às 00:33

"dificilmente iremos encarar o futuro com a mesma leviandade". Grande verdade, pelo menos durante dois ou três meses. Depois, volta-se a tirar o visa da carteira que já estamos quase no natal.
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De Vera Baeta Lima a 15.10.2008 às 10:59

FJV, seria realmente muito bom que conseguíssemos aprender alguma coisa com esta crise. Em reunião Familiar, este fim de semana, disse a um dos meus sobrinhos mais velhos que agora, face à presente crise, a nossa atitude de vida estava a ser idêntica à que existia antes do 25 de Abril. Não compramos NADA, como se NADA houvesse para comprar. Ele riu-se, mas o caminho é por aqui. Não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar dinheiro que faz falta para os essenciais...é difícil, está a ser difícil...mas temos que seguir em frente!
Um bj para si :-)
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De Gonçalo Soares a 16.10.2008 às 23:19

viu que começou a campanha para 2010 em São Paulo?
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De baudolino a 17.10.2008 às 17:00

Ocorreu-me, quando li "É uma verdadeira lição de teoria política." que era, tudo isto que vivemos, uma lição de muitas coisas, sobretudo uma demosntração ostensiva da fragilidade desta teia bipolar em que tão incautamente vivemos. Não sabemos, de facto, o que nos reserva o Inverno. Consola-me, a mim, a imagem de que o Inverno trará nuvens e chuva e frio. Saber-nos-á melhor o sol na cara, depois, quando dele se esperar presença assídua.
Um abraço
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De Agnelo a 18.10.2008 às 11:23

Meu caro Francisco José Viegas

Infelizmente o Governo, os responsáveis pelos bancos, e o Partido Socialista, encarregaram-se de nos fazer encarar o futuro com a leviandade de sempre, pois, todas as suas declarações têm vindo no sentido de nos dizer que tudo está bem e melhor irá ficar: bancos sólidos como rochas, despesa pública a aumentar, salários também (mas impostos idem), etc.

Uma maravilha !
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De henedina a 19.10.2008 às 00:00

Os ‘optimistas’ têm mais desilusões; os ‘pessimistas’ estão mais preparados para os dias que aí vêm.
Acho o seu post oportuno porque estava exactamente a pensar por estes dias que há 2 formas de ser feliz. Baixar as expectativas e então "pouco" basta para nos fazer felizes. Ou ter uma alta expectativa e ser profundamente infeliz se ela não se concretiza.
Na adolescencia li um poeta frances que gostaria de reencontar mas não sei quem é que dizia "quando temos um sonho não nos devemos contentar com um mais pequeno".
Esta foi sempre a filosofia da minha vida, no dia 17 desisti do sonho grande. Estava na sua cidade no Porto e estava a lua enovelada mas cheia, gosto de noites de lua cheia, tinha tido dias muito dificeis e estava extremamente cansada e queria passear à noite na ribeira, ter um momento zen, e passeei das 24h as 1h pela ribeira e naquele ambiente realmente lindo, tocando com a ponta de lingua e esmagando soro fisiologico que me escorria pela face, desisti.
Não é "contentar com um sonho menor" aprendi que é saber desistir de um sonho, acabar com uma fantasia, preocupar-me em ter pessoas de carne e osso que beijem, abraçam e passeem na ribeira numa noite de lua cheia.
Aplicado a crise, ser pessimista é não perder em acções, porque não se jogou.

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