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Todos gostávamos de ter uma palavra de esperança para Figueira de Castelo Rodrigo.

por FJV, em 03.10.08

“Os municípios do interior estão despovoados de massa crítica, investimento e receitas próprias”, diz António Edmundo, presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, que decidiu (e bem) tomar medidas para fixar jovens casais no seu concelho. É uma tarefa do outro mundo, tendo em conta as armas de que dispõe a câmara local: prémios de 500 a 750 euros para cada criança que nasça na vila ou para cada casal que decida fixar-se no interior da barreira de xisto que delimita o concelho. Com essa quantia, António Edmundo luta heroicamente contra a força do destino, que é animada pela inércia e pela concorrência desleal das cidades do litoral. Todos gostávamos de ter uma palavra de esperança para Figueira de Castelo Rodrigo; mas, sinceramente, os tempos estão difíceis. E caros.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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15 comentários

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De JL a 03.10.2008 às 12:38

Este tipo de incentivos para fixar pessoas em determinadas localidades cria um sem número de reservas. Inclusivamente morais no que diz respeito a premiar as pessoas por cada nascimento de uma criança. Há uns anos também Vila de Rei tentou fazer algo para povoar o concelho. Lembram-se no que deu? Foi um fracasso total para além dos problemas que originou.
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De Luis Miguel Brocha a 03.10.2008 às 14:26

Ó Doutuore, veja lá se me puonhe na lista da Quetezale, carago! Que bocê disse-me aqui há atrasado que eu ia ter um graunde futuro, está lembrado? Bá, fico a aguardar o contrato. E se num bier, mando um texto pró Newark Trumpet, c'um catano carago!
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De PR & Consulting a 03.10.2008 às 14:51

Sim, mas antes tens de emagrecer dez quilos e livrar-te dessa acne tardia.
Depois, sim, serás um puto dum sucesso, garanto-te, ó Brocha. Vais vender até te enojares.
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De Laura a 03.10.2008 às 16:57

Quanto aos incentivos pecuniários por cada contributo ao aumento da população, as minhas reservas são de ordem meramente pragmática.Isto é, duvido da sua eficácia e poder dissuasor.
Porque são "peanuts".
Em contraparida, em que é que se pode criticá-las do ponto de vista ético e moral? Em nada.
Na perspectiva da ética da intervenção do estado, nada a apontar: o governo local pauta neste caso a sua gestão pelos princípios mais consensuais, a saber, a boa administração dos recursos e a afectação a finalidades de interesse público e colectivo.
(quantos dinheiros públicos, mesmo a fundo perdido, serão tão bem empregues quanto estes subsídios, que militam numa causa muito maior do que a mera dimensão da sua eficácia local?)
Já quanto ao plano moral, acho a medida irrepreensível. Quem duvide da moralidade intrínseca de subvenções à natalidade tem de condenar outros subsídios baseados na dimensão familiar, como o velho abono de família, por exemplo.
E porém... na mesma peaanuts.

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De TalvezTeEscreva a 03.10.2008 às 18:42

Palavras de Hoje (34)
from Corta-fitas by João Villalobos

«Filhos e netos de camponeses que enriqueceram, enriqueforam e que em ricos serão sempre camponeses por mais que disfarcem, estes exemplares caracterizavam-se por possuírem hábitos sedentários, preferindo as áreas das secretarias e outras de clima acentuadamente burocrático onde a vida decorre na ordem dos ciclos naturais da chuva e dos impostos». Por José Cardoso Pires, em «Dinossauro Excelentíssimo», 1972


Deixo-o com estas palavras que serão sempre actuais e digo-lhe - sim digo-lhe eu que conheço bem a realidade de FCR - utilizando uma expressão bem tipica daquela região: "não tenha pena"! Portodo o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo há muitos jovens, muito dinheiro, muita subsidio-dependência, a mesma "falta de cabeça para os estudos" do antes 25 de Abril [excepto para a utilização de telemóveis 3G e computadores portáteis, que todos os jovens já possuem - na verdade, os subsídios para as vacas e arranque das vinhas e plantação de amendoeiras e o diabo a quatro fazem milagres na cultura e procriação de toda a espécie de electrodomésticos nas casas da região. Não tenha pena. Os jovens até de borla se fixam na região, com uns subsídios melhor ainda. A ambição por lá é mais trabalhar para a Câmara, nem que seja como varredor, ser GNR ou "ter um comércio"...

Tenha pena da pobreza envergonhada que há em Lisboa, dos velhos abandonados por todo lo País, dos desempregados com mais de 45 anos... mas não tenha pena dos jovens desse concelho. O investimento e receitas próprias é perverso e massa crítica nunca faltou nos meios pequenos. O grande desafio seria a mudança de mentalidades, mas isso não muda: «Filhos e netos de camponeses [...] que em ricos serão sempre camponeses por mais que disfarcem»....
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De Dylan a 15.10.2008 às 00:39

Queres ver que toda a gente é rica em FCR ? Haja bom senso.
Também conheço a realidade desta terra e não vejo nada disso. Estará a confundir com Ciudad Rodrigo?
O que eu vi foi gente humilde que vive da terra labutando todos os dias da semana, sem folgas, tirando o pouco sustento de actividades como a agricultura e o gado.
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De TalvezTeEscreva a 15.10.2008 às 02:00

Que quadro tão bucólico... e tão fora de tempo.
Sugiro-lhe que renove a visita, que se instale na Hospedaria do Convento, que visite a região e que escreva o próximo comentário numa mesa do Páteo do Castelo.
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De Dylan a 15.10.2008 às 18:46

Se calhar uns tempos de clausura no Mosteiro de S. Maria de Aguiar faziam-lhe bem... para renovação espiritual!
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De TalvezTeEscreva a 15.10.2008 às 19:48


Tenho lá uns 400 ou 500 m2 de casa própria em pedra, integralmente restaurada e com os mesmos móveis que se vão mantendo desde o séc IXX. Ou seja, quase um mosteiro mas meu.

Nascido em 1974, certo Dylan? Talvez crescer, que eu não sou da sua geração e tenho pouca pachorra para a geração pós-25deAbril de trintinhos que têm a mania. Mais do que meditação, a vossa geração precisava mesmo era de educação [cultural e da outra].
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De Dylan a 16.10.2008 às 01:06

Pode ser que apareça nos teus "400 ou 500 m2 de casa própria em pedra", onde deve caber todo o teu exibicionismo e Talvez te...

Deixe-me adivinhar - és daquelas figuras que elegeram Salazar como o maior dos portugueses? Também não tenho pachorra para esse tipo de gente nem saudades desses tempos miseráveis mas fica sabendo que a geração pós-25 de Abril tem valores culturais que te ultrapassam.

Claro que existem mal educados em todas as gerações, isto sem falar da falta de humildade de alguns... Nada que uma subida ao cume da Marofa não cure!
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De José Ferreira Marques a 04.10.2008 às 07:33

A região de Riba-Côa é pouco conhecida e raramente é referenciada nos órgãos de comunicação social. Por isso realço e agradeço o destaque que o meu concelho lhe mereceu.

Uma forma de incentivar o seu desenvolvimento seria a reactivação do troço da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva, revitalizando deste modo a linha por onde Eça de Queirós entrou em Portugal com o seu “Príncipe” a caminho de Tormes.
Se no século XIX se ia de Barca d’Alva a Paris de comboio, porque se tornou impossível no século XXI?

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De Mónica a 04.10.2008 às 10:49

é isso mesmo, apenas peanuts. sei de uma medida que seria mais que isso, mas ninguém lá em cima parece lembrar-se disso. experimentem garantir a todos os bebés que nascem de pais trabalhadores, um lugar em creche / infantário de qualidade e gratuito, com horários adequados aos dos pais, até à entrada na pré-escola.
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De Whats in a name a 05.10.2008 às 02:48

Concordo com o comentario do TalvezTeEscreva.

Mónica, está completamente descontextualizada. No concelho de Figueira de Castelo Rodrigo ainda se sai de casa e se deixa a chave pendurada do lado de fora da porta e há avós, tias-avós e primas em casa sem trabalhar [por opção] que ficam com as crianças todas e mais alguma que venha. Os jardins são seguros e as crianças brincam à vontade e sem correrem mais perigos que os perigos de antigamente [quedas, esfolarem os joelhos, etc]. Prioridade às creches é mesmo coisa de grandes cidades onde as mães se esfalfam a correr para trabalhar, muitas delas para ganharem no final do mês tanto quanto pagam de mensalidade na creche. Vidinhas :)
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De Dylan a 14.10.2008 às 18:55

Penso que Castelo Rodrigo é um filão turístico a ser melhor explorado.
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De Ecos do Castelo a 14.10.2008 às 23:59

Chegaram ao restaurante,três de cinco vestidos de fato escuro e ocuparam a mesa junto à janela ao lado da minha. Lá fora caia a noite, não muito escura por causa da última Lua cheia antes do equinócio de Outono. Lá dentro, as mesas iam sendo ocupadas sem grande crise por casais, homens sozinhos, mulheres sozinhas, alguns espanhóis. Tudo normal, portanto. Tudo normal com excepção daquele homem daquele grupo de cinco de fato escuro. Na casa dos trinta e picos, obeso, alto, espaventoso e com aquele ar de suíno que tem o condão de irritar imediatamente as mulheres, sentou-se sem cerimónia no lugar de destaque na mesa, na cadeira que lhe permitia ver e ser visto de toda a sala. Infelizmente, de costas para a janela,e de frente para mim. Na mesa redonda, os cinco homens deixaram vaga uma cadeira de costas para toda a sala. Tentei abstrair-me, sem conseguir. O,burgesso dos trinta e picos lambuzava-se entretanto com um bacalhau com molho de tomate e cebolada, comia e falava com a faca na mão, os cotovelos em cima da mesa, palitava os dentes com a língua e ajudava com o dedo apontador, sorvia o vinho com as beiças lambuzadas do azeite do bacalhau e alternava com água, sem nunca se lembrar de usar o guardanapo. Antes de chegar à parte em que a testa do animal se iria encher de gotas de suor, pedi a conta, paguei e saí. Na tal cadeira [que representava o ficar de costas para tudo e para todos] que o grupo dos cinco tinha deixado vaga, sentara-se entretanto o sexto homem, António Edmundo Ribeiro, o presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, o único que não estava de mangas de camisa e mantinha adequadamente o blazer vestido. O homem certo sentado no lugar errado da mesa..

Ai, ai. A educação e boas maneiras não deviam ser formação obrigatória!?

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