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Contribuições & solidariedade.

por FJV, em 30.09.08

De repente, à esquerda e à direita surge uma onda de solidariedade com “as vítimas” do desastre financeiro que está à vista. Os mais “solidários” voltam-se contra o Congresso Americano que desobedeceu aos chefes partidários e achou que não devia aprovar o plano de salvamento que lhes era proposto lá de cima. Os “solidários” acham que é egoísmo não querer dar uns dólares ao vizinho. O problema é que não se trata de “uns dólares” – são, pelo menos, 2500 por cada cidadão americano. E não é ao vizinho – mas sim aos bancos que usaram e abusaram do risco. Não é preciso perceber de economia para saber que são os contribuintes que vão pagar a despesa; por isso, a falência desses bancos não me parece mal. Se é preciso aplicar o dinheiro dos contribuintes, há muito por onde começar.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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11 comentários

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De Paulo a 02.10.2008 às 00:42

Existe algo "difuso" que está a ofuscar o cerne daquilo a que toda gente chama "crise". Pois, na verdade, poucos portugueses devem compreender como é que um conjunto de créditos mal parados podem desencadear uma falta de dinheiro tão generalizada. De repente, parece que o problema é só dos créditos imobiliários mal parados, do cidadão comum . Ora, como vemos em Portugal, podemos ser extraordinariamente pobres, mas lá vamos conseguindo pagar as prestações da casa.

Até que ponto esta crise é "apenas" um problema de crédito mal parado? Não será um problema claro de deslocação da "massa monetária" para outras latitudes (China, Médio Oriente, etc...)? Não colocamos toda a nossa economia dependente do petróleo e dos produtos industriais de base (minérios...) nas "mãos" dos seus produtores (um numero consideravelmente restrito de economias)? (ou seja, não será esta "crise", uma crise de vivermos todos (e não só os coitados que não pagam as prestações das suas casas) acima das nossas capacidades reais?

Agora que ninguém empresta dinheiro aos bancos ocidentais, fará sentido os nossos governos limitarem-se a nacionalizar as dívidas? A questão que se coloca é... porque não ficam os governos com a totalidade do capital (o bom e mau) e após o recuperarem financeiramente privatizarem-no tentando recuperar algum do dinheiro "investido" pelos contribuintes? Porquê a opção de assumir "só" o mau? Não é estranho que os bancos em falência sejam nacionalizados nas suas dividas e vendidos ao desbarato as suas divisões lucrativas? (não é estranho o barclays e o santander adquirirem partes destes bancos por um preço irrisório, tornando-se monstros dominantes, podendo a pouco e pouco controlar o mercado?)

Parece que alguém está a lucrar com este investimento dos contribuintes. E curiosamente a comunicação social não consegue apresentar as diferentes visões deste "problema"... aparentemente todos consideram que tudo depende de um plano de Bush , que parece-me bastante questionável. Mas que ninguém parece questionar.

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