Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



O cantinho do hooligan começou a campanha.

por FJV, em 21.09.08

Adormeci no sofá, diante da televisão. Não sei se foi na primeira ou na segunda parte, porque ambas foram más, mas lembro-me de ver uns rapazes a jogar futebol nas traseiras de uns prédios em Francos. Depois, ao contrário do que disse Jesualdo, a segunda parte não foi de sentido único. A segunda parte não existiu: aquela equipa está mal formada, mal educada e mal instruída, sem laterais nem discernimento para jogar diante da baliza; vendo aqueles repolhos com pernas a arrastar-se pelo campo, percebia-se que nenhum deles sabia que era preciso jogar futebol para ganhar. Mais do que uma equipa banal, foi uma equipa condenada. Depois de este cavalheiro me ter chamado a atenção há tempos, fui reler a entrevista de Jesualdo Ferreira ao Público e percebi o essencial: «Quero dizer às pessoas que quem define os sistemas de jogo do FC Porto é o seu treinador.» Temo que seja esse o problema; ele bem diz que «é muito fácil para quem está de fora e percebe pouco destas coisas analisar a situação sem levar tudo isto em conta» (tudo excertos da entrevista), mas o que se vê é a banalização de uma equipa onde há quatro ou cinco belas peças e um conjunto de trambolhos que deve ter desaprendido a jogar futebol na pré-época. Ao ler que «com menos espaço é mais difícil criar oportunidades» (uma grande tirada) devia ficar descansado, mas não fico. Sinto-me apenas assustado com a tirada. Reparem nisto: «O FC Porto tem o seu sistema-base. E depois tem princípios, tem métodos e tem estratégias que variam necessariamente tendo em vista alcançar determinados rendimentos e resultados. O sistema-base não define o modelo. O modelo é um conjunto de sistema, princípios, métodos e estratégias. O que se pretende atingir cada vez com maior eficácia é que é o modelo. Portanto, o sistema do FC Porto é o 4x3x3, a sua dinâmica nunca indicia o 4x3x3 permanente, os princípios que o FC Porto tem sob o ponto de vista do seu método, quer seja a zona ou o aproveitamento dos espaços, faz-se através de transições rápidas, a definição das áreas de pressão, a capacidade de ritmar o jogo, que já foi mais forte na época passada do que na anterior. Tudo isto faz parte dos processos que o FC Porto utiliza para chegar ao modelo. O problema é que muitas pessoas confundem o modelo com tácticas e com o sistema. E não é tudo a mesma coisa.» Se o treinador da vossa equipa diz uma coisa destas, o que ficariam a pensar? Que a equipa está sem modelo, seja lá o que isso for, e que não tem sistema, se é isso que eu estou a pensar. Eu devia ter percebido logo: quem diz coisas destas é capaz de tudo, e uma delas é perder com o Rio Ave. Mas, vá lá, não conseguiu.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De Harry Lime a 22.09.2008 às 10:08

Ricardo,

Nunca ouvi o Mourinho falar das equipas dele nestes termos. Acredito que estes conceitos estejam subjacentes à construção duma tactica ou de um sistema ou do que quer que seja que a gente ve quando ve uma equipa a jogar à bola.

Os erros do Jesualdo são dois

a) entender que toda a gente deve conhecer estes conceitos em profundidade. É o mesmo que um projectista de um automevel dizer que um carro só pode ser apreciado por quem perceba profundamente o funcionamento do computador de bordo...

b) Ser demasiado inflexivel. Não perceber que o inicio de tudo não são os sitemas mas sim os jogadores. O Porto perdeu 2 jogadores importantes para definição do 4-3-3: o Quaresma e o Bosingwa. Os jogadores que os vieram substituir, o Rodriguez e o Sapunaru, têm caracteristicas diferenes. O Rodriguez é medio ala e não extremo e o Sapunaru é um lateral direito medeinao. Nestas condições o que o Jesualdo deveria fazer era simples, mudar o sistema (ou a táctica ou lá o que seja) para 4-4-2, que se adapta aos jogadores que tem. E então aplicar as teorias dele a esse sistema (ou tactica ou lá o que seja)

O segundo erro é muito grave! Quem define a táctica no fundo são os jogadores e não o treinador. E este é um erro em que o Mourinho nunca caiu. Daí o seu sucesso.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 22.09.2008 às 16:40

Tem toda a razão: veja-se no "Ano taça UEFA" e no "Ano Champions" a mudança de táctica(ou modelo, ou sistema), de acordo com o ter ou não ter extremos:4-3-3, ou 4-4-2. Tal como tinha dito, o mesmo aplica-se com Rodriguez:médio-ala e não extremo.
Acrescentaria que para além do Bosingwa e do Quaresma, perdeu o Assunção, este mais importante na manobra do que o 7, ainda que a presença/ausência do Quaresma, condicione mais à táctica(ou modelo, ou sistema)

Comentar post




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.