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Escrever em quartos de hotel.

por FJV, em 20.08.08

O Rui Bebiano publicou um post sobre quartos de hotel – ou melhor, sobre o que está em desuso nos quartos de hotel. O Rui fala de «papel e envelopes timbrados para escrevermos cartas, e até, como me aconteceu há dias numa cidade do norte, folhas de papel mata-borrão». Acontece que escrevo cada vez menos ao computador e cada vez mais em cadernos e blocos (ou em folhas soltas); e, ao contrário do que o Rui sugere («à excepção de certos dirigentes do CDS, ninguém se sirva já em viagem de canetas de tinta permanente») eu escrevo com canetas de tinta permanente, as três cada vez mais inseparáveis clássicas (Waterman, Pelikan e Parker, nada de Montblanc).

 

 

 

É raro encontrar pessoas que escrevam com tinta permanente (mesmo não sendo «certos dirigentes do CDS...») e que não tenham sucumbido (ou, vá lá, não se tenham adaptado) à regra de escrever tudo no computador. Eu escrevia, sim – mas voltei atrás. Há um prazer raríssimo na caligrafia, no desenho da letra, na própria escolha da cor da tinta permanente (preto, azul ultramarino, azul escuro, sépia), na preparação do acto propriamente dito: o estojo com as canetas, os blocos ou cadernos, o cinzeiro e as recargas ou tinteiro. Curiosamente, foi num desses quartos de hotel que reaprendi a escrever à mão, com maiúsculas e minúsculas, sublinhando, desenhando setas, reenvios.

Um dia dirão que é anti-planeta gastar papel nestas coisas.

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17 comentários

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De alter.lego a 21.08.2008 às 15:16

Educação para a caligrafia: http://www.iampeth.com/

saudinha,
alter.lego
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De Ergela a 23.08.2008 às 09:41

Fiquei sensibilizado com este post, José Viegas .
Ainda sou do tempo que ainda não consegue escrever directamente no computador, ninguem imagina o prazer que dá escrever com canetas de aparo, isto ainda é um hábito que me foi transmitido de geração em geração, é indescritivel o prazer de desenhar as letras e ver " nascer" e "crescer" a nossa caligrafia, na ponta de uma caneta.
Obrigado por este por este post.

Nota: Como sou colecionador de canetas e quiser ver algumas daquelas que possuo pode passar pelo o meu blog : zonaoriental-ergela.blogspot.com
gostava de lhe pedir ordem para transpor este post para o meu blog.
Desde já obrigado e um abraço.
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De CNS a 23.08.2008 às 15:32

E a ligação directa mão-emoção ? A velocidade com se desenham as letras, mais ou menos angulosas, mais ou menos marcadas no papel, consoante a urgência daquilo que queremos deixar permanente em papel. Seja essa permanência, azul ou sépia. Eu pessoalmente prefiro o sépia...
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De simbolo a 23.08.2008 às 15:33

O nosso grafismo é um resultante do inconsciente. O regresso á escrita é uma reaproximação a esse inconsciente. Ao mais essencial de cada ser humano.
Seria muito interessante que publicasse um ou outro texto manuscrito.
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De Francisco del Mundo a 26.08.2008 às 14:20

Caro Francisco, pode dizer-me onde arranja o bloco de folhas amarelas?
Abraço
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De Maria Cabral a 10.10.2008 às 18:14

Estimado FJV , tem toda a razão.

A escrita a tinta permanente corresponde àquilo a que nomeamos inicialmente como escrita.. inscrição em tempo real num qualquer objecto, neste caso em papel.
A produção de discurso é um acto interessante. Todavia, a escrita em computador retira-lhe o que faz dela processo. A não ser que se saiba como accionar os marcadores de revisão, o produto final não revela as hesitações, a busca da melhor palavra , a troca dos parágrafos. Isto é, tudo aquilo que faz de um texto o que ele realmente é: resultado de enumeras decisões, arrependimentos , tomadas de risco...
Por isso, e após ter lido por acaso o seu texto, resolvi deixar-lhe esta nota.
Ainda existem bastantes amantes da caneta de tinta permanente; que se adapta à mão, com um aparo bonito, mesmo que sujo e já sem brilho. Gosto delas sobretudo com 'vísceras' à antiga. Aprendi a utilizar o tempo de reenchimento no tinteiro de super quinck azul ( o meu preferido) para pensar no formato da ideia que desejo construir a seguir, ou para escolher que em que papel escrever. Sim, porque agora existem os de imensos tipos e cores. Já reparou que o consumismo tam´bem invadiu o espaço da escrita em tinta permante?

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