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Vida & morte.

por FJV, em 11.08.08

Há histórias de vida & morte que nos surpreendem porque confirmam e, em simultâneo, desmentem as estatísticas. Esta, trágica, confirma que o género humano está doente; e desmente que um certo grau de instrução pode torná-lo mais decente. Vai agora a julgamento, em Coimbra, o estudante universitário de 28 anos, ainda no curso Engenharia Civil, que matou a ex-namorada a facadas (vem no CM de ontem), com “repetidos e muito violentos golpes”, segundo a acusação – Maria José tinha-lhe dito que não, que não queria namorar mais com ele. Um ano depois, o relatório dos psicólogos diz agora que António, o criminoso, sofria de “uma baixa tolerância à frustração”. O género humano não aprendeu nada com anos e anos de experiência. Torna-se apenas mais idiota e mais previsível. É assim.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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13 comentários

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De Saint Petersburg a 11.08.2008 às 16:12

Eu sofro de alta intolerância à baixa tolerância dos outros.

E isso vai servir-lhe de atenuante?

A justiça e estas merdices para somar e subtrair culpa e pena... e dolo, bolo, colo, solo, enrolo, Senhora de Aparecida... e o puto do teatro judicial. Teatro?, que digo eu?, que se escapa a alegoria correcta.

Circo.


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De scbmf a 11.08.2008 às 19:31

Ter baixa tolerância à frustração não será um eufemismo para menino mimado habituado a ter tudo quanto quis? Mal habituado! Louco! Não há atenuantes que desculpem um caso destes...
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De Sofia Ventura a 12.08.2008 às 15:55

«o relatório dos psicólogos diz agora que António, o criminoso, sofria de “uma baixa tolerância à frustração”. »

Que é, curiosamente, uma das características apontadas a esta nova geração de "privilegiados", em quem os pais investem imenso, provavelmente, os protegem demasiado e não têm estrutura para enfrentarem a vida.
Há não muito tempo, li que esta situação é, particularmente, aguda na china - resultado da política da filho único, onde se fala de uma "vaga" de suicídios.
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De Sofia Ventura a 12.08.2008 às 18:08

"para enfrentar (e não enfrentarem) a vida", naturalmente.
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De henedina a 12.08.2008 às 20:39

Se vai agora a Tribunal não deve ser ainda comentado, devemos deixar o caso particular nas mãos da justiça. Mas os casos gerais de mortes cada vez mais frequentes, em Espanha 34? 37? mulheres mortas por violencia domestica? Esfaqueada porque não quis namorar com ele ou porque discutiram, é perigoso namorar! Baixa tolerancia a frustrações. Todos temos baixa tolerancia as frustações, e eu costumo dizer aos meus amigos que estou a pensar na sobreviviencia deles e, essa é a razão de não namorar com eles, porque os mataria se estivesse com eles e eles me traissem (solução namorar com um inimigo). Mas a violencia não é só entre os casais, a TVI deu o "tiro legal " ao assaltante pelo menos 4 vezes no directo, pelo menos 4 vezes porque foi tão evidente o abuso da execução em directo que mudei de canal e todas as 3 televisões estavam a fazer o mesmo, com menos abuso mas o mesmo.
Não. Deve-se aprender a aceitar por mais que doia, que os sentimentos não se encomendam e como temos a liberdade de amar quem não nos ama, temos de dar a liberdade de não nos amar quem amamos.
Claro que este tipo de atitude parece mais posse do que amor, porque no amor queremos, julgo, o melhor para quem amamos (claro que de preferencia connosco :)) ou se tiver connosco e quiser sair que nos diga de forma adulta, senão é melhor que não seja comigo...:)
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De mar aravel a 12.08.2008 às 22:19


Na verdade

nós os animais mais perfeitos

precisamos de conversar mais com os cães

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De Margarida Pereira a 13.08.2008 às 19:03

Aqui, uma faca.
Outra vez, ácido.
E houve tiros, fogo posto, cárcere, tortura – física, psicológica –; e cordas, chicotes, pedras.
Vidro e água.
O olhar. Com ele, também se fulmina.
Aqui, desta vez, uma faca, caída repetidamente sobre a carne que se apagava. Criando sulcos para o sangue se volatilizar.
Para que entrasse ar. E o sentido da doida paixão.
O amor, é sabido, mata.
E fá-lo de todas as maneiras.
E, enquanto esse teminus não chega, vai endoidecendo.
Muito devagarinho.
Amar outrém, só por si, já é sinal de loucura.
O mundo não vive assim.
Depois, quando se chocam os quereres, quando se apagam as ilusões, quando a besta emerge, fera, apela-se à faca, para gravar, a golpes, a afeição.
O mundo deveria ser um imenso hospício certificado.
E, o menor sinal suspeito – sorrir, por exemplo – provocar internamento sem remissão.
Amar é pecado.
Matar, uma espécie de salvação.


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De Ângelo Ferreira a 14.08.2008 às 00:18

De acordo.
Há sempre uma nova terminologia científica, que está cheia de ideologia, que, no fundo, substitui a ciência, inexistente. É coisa que grassa por aí, especialmente nas ciências ditas sociais... Basta ler os trabalhos de suposta investigação que são publicados... A conversa é sempre a mesma, porque eles aparecem por gemiparidade.
Estaremos condenados?
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De qwerty a 14.08.2008 às 03:12

Bem, Engenharia Civil não é propriamente um curso que colmate falhas de carácter ou, arrisco, machismo.
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De Como? Importa-se de repetir? a 14.08.2008 às 09:16

E qual é o curso que propriamente colmata falhas de carácter e - quanto tanto - machismo?

Não tenho palavras, não esperava tanta cientificidade antropológica e sociológica, é muita lógica e robótica humana para o meu chip.

Qwerty, vossa gigantesca excelência arrasou-me. Estou colado ao chão.

Se já tão adiantado está, apresente-nos à tabela dos benefícios e malefícios de cada formação, estou a hiperventilar, colado ao chão.
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De qwerty a 14.08.2008 às 13:33

Foi o que eu disse (ou quis dizer). Nenhum curso colmata falhas de carácter.
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De João Távora a 14.08.2008 às 12:54

O erro crasso da cultura positivista é admitir que existe uma entidade com memória ou consciência de si chamada género humano. Existem apenas (?) pessoas. Cada uma, e as suas circunstancias.

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