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Tropa de Elite.

por FJV, em 23.07.08

Se há coisa que me irrita a propósito de Tropa de Elite é a colecção de disparates que se dizem a propósito da «marca fascista» do filme e de merdas como o «escape autoritário» que o filme defende e de outras filhas da putice que os meninos aprenderam a escrever contando os dedos dos pés. Eu gosto do filme; não é o meu género mas dentro do género é muito bom e recomendo a todos que o vejam e que o mostrem.

 

Outra das manias é porem-se a comparar Cidade de Deus e Tropa de Elite como se os dois filmes competissem no mesmo plano ou se limitassem a dar as suas versões do problema. Ou é de gente que não viu Cidade de Deus ou de gente que não conhece o Brasil.

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10 comentários

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De Ricardo a 23.07.2008 às 12:35

Ou, citando o Presidente da Instituição, de ambas as duas.
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De jorge c. a 23.07.2008 às 16:53

Mais nada!
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De phil a 23.07.2008 às 20:00

o que me parece curioso no filme é a maconha ser o centro do problema. recordo o dia da pré-estreia do filme no festival de cinema do Rio. houve uma pequena discussão que acabou com parte do público a chamar maconheira a uma das assistentes. cambada de hipócritas de merda. na festa que se seguiu muita erva se fumou.... para nao falar de outras coisas.
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De nuno ferreira a 24.07.2008 às 17:04

É tão reaccionário-moralista que até doi. E sim, conheço bem o Brasil...Lições de moral é na escola, não no cinema
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De Vicente a 25.07.2008 às 19:36

(Se fosse para comparar, que comparassem ao Carandiru, onde retrata o maior massacre da história num sistema prisional, neste caso no Brasil. 111 mortos na incursão da PM, dentro do Estabelecimento Prisional.)
São sem dúvida grandes filmes, mas não devemos misturar as coisas. O único ponto de igualdade que consigo encontrar é o facto de ambos passarem mensagens e conceitos, que vão para lá dos joguinhos Favelas - Polícia.
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De Gustavo a 26.07.2008 às 21:29

Se o filme é "fascista" ou não, não há como dizer: não é adjetivo que se aplique sem mediações a obras de arte (ou "arte"). Mas que seus efeitos concretos são os piores possíveis, isto me parece óbvio para quem acompanhe o noticiário aqui do Brasil. Um caso apenas, para ilustrar: na periferia de Porto Alegre, logo que o filme começou a circular em DVDs piratas, um grupo de policiais militares torturou dois garotos de pouco mais de quinze anos, introduzindo cabos de vassouras em seus ânus - tudo isso ao som da canção-tema de "Tropa de Elite". Casos como este se multiplicaram pelo país, uma vez que o filme foi percebido pelos policiais e pelo grosso da população como uma espécie de convite à barbárie policialesca, independentemente de verdadeiras ou supostas boas intenções de seus roteiristas e diretor.
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De Almirante Reis a 28.07.2008 às 16:20

Típico: tacha-se o labéu de fascista e desliga-se o cérebro.
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De Davik a 28.07.2008 às 17:33

Fascista não lhe chamo, mas que retrata e evangeliza o autoritarismo...
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De L SILVA a 29.07.2008 às 01:23

pois agora justifique a "merda"dum dirigente que o sre apoiouestes anos....
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De Silvia Chueire a 30.07.2008 às 15:06



O que é fascista e/ou reacionário-moralista não é o filme e sim a polícia brasileira que ali foi retratada. A confrontação com este fato seria assim, difícil? Sim, sei que é, mas precisamos nos dar conta da gravidade das coisas.

Na minha opinião o filme mostra claramente a postura facistóide da elite da polícia, a corrupção generalizada das polícias, desde o mais baixo escalão aos seus oficiais, a ingenuidade de certa burguesia, a violência e o deslimite de policiais e bandidos .

Evidentemente o filme não inspirou violência, ao contrário retratou-a. E aí discordo completamente do Gustavo que diz que apareceram casos de tortura depois do filme. É sobejamente conhecido este tipo de atuação policial e há muito tempo.
Esta postura pode ser percebida como inaceitável ou admirada pelo publico que assistiu ao filme e pelos policiais. Penso que não se pode dizer que o filme foi percebido como isto ou aquilo de modo genérico( as pessoas a quem perguntei sobre o filme em geral a entendiam como inaceitável) . Mas sei que no último caso, se configuraria um diagnóstico.

Os que se sentem orgulhosos de serem policiais nestas circunstâncias, as pessoas que apoiam este tipo de atuação (uma faixa da população, cansada da ausência de lei, paradoxalmente opta por isso, com a justificativa de que " alguém tem que fazer alguma coisa") , parecem mergulhadas neste estado de anomia. A ausência do Estado, da Lei, é o que gera este tipo de coisa e depois seus desdobramentos: as milícias, políticos e a justiça comprometidos com traficantes, etc.

Uma visão da psicopatologia de certa camada da população, é o que o filme (e o nosso cotidiano) oferece. Que deve sim, preocupar-nos profundamente.

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