De O lado errado do cérebro...Pois. a 22.06.2008 às 18:04
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O mais espantoso é que muitos deles nunca apresentaram queixa, outros nunca souberam o resultado das suas queixas, e mesmo quando as agressões são públicas, não se passa nada. Nunca se passa nada e nunca ninguém quer ver. E quando se fala do que está à vista de toda a gente, é uma conspiração "lisboeta", "benfiquista", contra o Porto, o Norte e o FCP e os tambores do ressentimento regionalista rufam contra os "mouros". Têm pouca sorte comigo, porque menos "mouro" que eu é difícil.
De poucas coisas gosto mais do que do Porto, a minha terra. Vou para lá e, ao fim de meio dia, já troco os "vês" pelos "bês". Os meus lugares são a D. João IV, Santos Pousada, o Padrão, a Batalha, o jardim de S. Lázaro, o Marquês, o Liceu Alexandre Herculano, os Leões, o Piolho, a Sé (onde nasci), a Ribeira, a Foz, a Circunvalação, e a memória, infelizmente só a memória por que o estão a estragar, do Cabedelo visto do Porto. É lá que quero ter as minhas cinzas deitadas, onde o Douro, o único rio a sério em Portugal, entra pelo Atlântico, com fúria. E também, imaginem, o "meu" clube, na forma mínima como me dou com o futebol, é o Futebol Clube do Porto...
Só lá me sinto inteiro, sem heimatlos. E é exactamente por isso que a doença que grassa já há uns anos na minha terra me preocupa e não me cala. Não foi "Lisboa" que a inventou, foram portuenses que a fizeram e que a mantêm com todos os maus argumentos e com a única lógica que conhecem, a do poder e a do dinheiro, com a mesma dimensão do Bada Bing. Tenho a veleidade de considerar que, falando desta doença e destes "meios", sirvo melhor a minha terra, o Porto.
(No Público de 16 de Dezembro de 2007)