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Moral.

por FJV, em 17.05.08

Quando se abordam questões relacionadas com o tabaco, entramos num domínio claramente irracional, comparável ao do futebol. Por um lado, é um método para os blogs subirem audiências; por outro, sobretudo naqueles que têm comentários abertos, é uma oportunidade de abrir debates e de receber vários insultos. Três notas apenas, independentemente do que escrevi antes:

1) O Francisco Mendes da Silva localizou a questão da moral; ou seja, mudou-a de lugar, e fez bem. Eu tinha chamado moralista à notícia do Público; o FMS acha que a questão moral se deve colocar no âmbito da moralidade política básica: para que «nos perguntemos se a lei que com tanta gravidade nos impuseram é verdadeiramente para ser aplicada ou se não passará, afinal, de uma proposta de vida do tipo religioso e, portanto, de letra-morta jurídica». Ou seja, se bem entendi: se se trata de uma lei, é uma prescrição para levar à letra e não para eleger apenas como princípio orientador, sujeito ao livre-arbítrio. Resposta: é uma lei assinada por José Sócrates.

2) O ressentimento seria natural. Se Sócrates assinou a lei, se a Direcção de Saúde evangelizou com espalhafato, e se a larga maioria da sociedade («sociedade» é um termo difuso, sim) apoiou a lei, então é preciso fazer com que Sócrates pague: a multa, em primeiro lugar; politicamente, em segundo lugar. É uma vingança que qualquer fumador exige em nome da coerência. E, no entanto, é de ressentimento que se trata. Ou de como um cigarro abalou a cena política e lançou ainda mais desconfiança sobre os políticos e os jornalistas, uma vez que se podia geralmente fumar nas três ou quatro últimas filas dos aviões das comitivas oficiais. O grau de ressentimento é maior porque a notícia, que podia ser dada há oito anos, quando creio que se deixou de fumar a bordo da TAP, só foi dada agora.

3. O pior de tudo: a declaração de José Sócrates, aceitando a punição e dando um passo em frente. Ninguém lhe tinha pedido para deixar de fumar. Mas, depois de um «mau exemplo» (do ponto de vista da moral), o «bom exemplo», porque vai «deixar de fumar». Mais uma vez, a moral. Não há paciência.

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14 comentários

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De J Barbosa a 17.05.2008 às 11:03

Dou por mim a meditar nas seguintes interrogações:
-Em que lei é que está escrito que os portugueses não podem fumar?
- Em que lei é que está escrito que os portugueses não podem fumar em parte nenhuma do mundo?
- O primeiro ministro estava sobre o território das caraíbas quando fumou?
- O comandante do avião é a autoridade máxima no avião?
- O comandante do voo autorizou que se fumasse?
- Tudo "isto" é conversa de treta de quem escreve nos jornais?

(Eu não fumo, nunca fumei e não penso vir a fumar alguma vez.)
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De armando s. sousa a 17.05.2008 às 11:58

As declarações de José Sócrates não podiam ser mais esfarrapadas e na realidade imbuídas de um espírito moralista saloio.
Ao fazer a declaração/ promessa pública que iria deixar o vício de fumar (apesar de uma declaração de um político valer o que vale, que é aproximadamente um tostão furado), deveria prestar pública prova que largou o vício, pois ninguém o obriga, a trazer uma questão do foro privada para a praça pública.

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De Rio Sado Maso a 17.05.2008 às 13:36

Tem que haver paciência. E moral.
Existem no mundo, têm de ter lugar.
Tal como os advérbios.
Sim, os advérbios, todos eles.
E vem algum algum mal da moral? Dos valores?
Ou só somos (pergunto no plural para me solidarizar...) contra quando nos convém à disposição?
Eu tenho desculpa, sou volúvel.
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De O rio Kwai sobre a ponte a 18.05.2008 às 12:51

Essa dos advérbios não é inocente, pois não?
Ao fim de quatro décadas a suportor expressões idiomáticas, os advérbios são caviar com champanhe (com vodka para os saudosos do imperialismo).
Por isso, logo adiante do horror perante um texto sem ideias, vem o horror ao texto com expressões idiomáticas inanes e sonsas, o horror aos advérbios estará algo adiante, espero, porque há muita dignidade nos advérbios, mesmo com pouco sábio uso.
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De nenhum a 17.05.2008 às 18:15

Quer os seus apoiantes queiram quer não, este é apenas mais um exemplo da arrogância de Sócrates e da forma como se julga acima dos restantes portugueses. Estamos, verdadeiramente, no campo do "triunfo dos porcos" e é contra essa situação que os cidadãos anónimos têm de lutar.
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Quer os seus apoiantes queiram quer não, este é apenas mais um exemplo da arrogância de Sócrates e da forma como se julga acima dos restantes portugueses. Estamos, verdadeiramente, no campo do "triunfo dos porcos" e é contra essa situação que os cidadãos anónimos têm de lutar. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>www.nenhum.org</A>
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De A. Pinto de Sá a 17.05.2008 às 19:04

Pelos vistos, o FJV não aguentou a avalanche de comentários suscitada pelo sua estranha posição sobre o fumo do sr. Sócrates.
Vai daí, comentários só depois de "moderados"...
Ora, bolas!!!
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De Conceição a 17.05.2008 às 22:04

É mesmo isso: não há paciência. De facto o mal não foi Sócrates fumar a bordo, o mal foi dizer que ia deixar de fumar! O pior é tanta agitação com esta notícia. Ataquem-no por outras, não por esta.
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De António Guimarães a 17.05.2008 às 22:23

A minha opinião em
http://guimaraes2-observador.blogspot.com/2008/05/fumaas-e-notcias.html
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De Mónica a 18.05.2008 às 12:54

não há paciência é para não-assuntos destes. como dizia a lolita no blogamemucho, "o cigarro foi fumado a caminho de um país governado por um tiranete". mas isso parece uma irrelevância.
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De Mónica a 18.05.2008 às 12:57

não há paciência é para não-assuntos destes. lembrava lolita no blogamemucho, o cigarro foi fumado a caminho de um país governado por um tiranete, mas isso parece ser uma irrelevância.
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De La Resistance a 18.05.2008 às 13:54

O que é um não-assunto? Percebo a palavra não, a palavra assunto também, agora... não-assunto? Há aqui uma dificuldade grave de expressão, porque há suficientes palavras para dizer-se o que seja.
Não-assunto? É algo assim como um buraco negro? Anti-matéria?
E por dirigir-se o voo para onde se dirigia, por ser governado por um tiranete, deixa de importar tudo o que se passa a bordo? Poderiam travestir-se, defecar e esfregar nas caras uns dos outros, fumar haxixe e inspirar cocaína, fazer piercings nos olhos, arrancarem unhas uns aos outros? Uma fight club session a 11 km de altitude? Nada importa?
Mónica, tiro o meu chapéu perante ambas, é uma ideia tão bem acabada! Nunca me lembraria de tal, I take a bow.

(Acabei a não perceber o que é um não-assunto, mas deve ser inabilidade minha.)
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De armando s. sousa a 18.05.2008 às 21:52

Gostei do que diz o La Resistance (também gosto do nome).
Não sei se a Lolita , é ou não uma "pessoa importante da nação portuguesa", daquelas que estão totalmente "autorizadas" a dizer as asneiras que quiserem.
Sei que nos blogs de figuras públicas, como é o caso, por vezes aparecem pessoas importantes, ou no mínimo que se julgam importantes, que para o caso é exactamente a mesma coisa, mas neste caso particular, sei que a Lolita e a sua porta-voz, (ah Mónica) envergonhariam o Vladimir , Vladimir Nabokov .
Tratar o Hugo Chávez , por tiranete, além de ser uma ofensa inqualificável para os senhores Estaline, Hitler, Mao Tsé-Tung e Pol Pot , é acima de tudo, uma tirada ignorante de um nariz empinado, que não sabe do que está a falar.
Por favor, leiam qualquer coisita.
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De André Couto a 18.05.2008 às 15:45

A questão do cigarrito do Engº Sócrates provocou uma semana fantástica aos media porque lhes possibilitou ter algo mais para dizer para além do triste balanço dos mortos do ciclone em Myanmar, o triste balanço dos mortos do sismo na China e o já habitual, mas não menos triste, aumento do preço do barril de petróleo. O facto de no nosso país alguns factos serem falados e debatidos além da exaustão provoca que as pessoas depressa se cansem de ouvir falar no mesmo e acabem por não reflectir nas questões de fundo inerentes a cada situação.
O episódio da fumarada é em si sintomático daquilo que vai sucedendo neste nosso Portugal: "Olha para o que eu digo não olhes para o que faço..."
A "fuga para a frente" do nosso Primeiro é em si paradigmática do comportamento de alguns dos nossos políticos que não se interessam com as questões per si" mas antes com aquilo que julgam agradar mais ao português votante...
Se o Engº José Sócrates fosse apanhado ter relações sexuais num local público será que diria: "Peço desculpa aos Portugueses pelo sucedido mas tal não voltará a acontecer até porque, como tinha já pensado, vou dedicar-me ao celibato!"?
Fica aqui a pergunta...

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