Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Filhas de Bragança.

por FJV, em 24.04.08

O Expresso deste sábado avançará com uma reportagem sobre as meninas de Bragança. Ora, nós somos um país sério, em pantufas, metidos connosco, sentado diante da televisão, com uma província cheia de melros a cantar nas oliveiras que ainda restam. Em 2004, a Time não tinha nada que nos vir incomodar com aqueles retratos, aquelas declarações citadas entre aspas (como manda a decência jornalística), aquelas revelações sobre as meninas de Bragança. O que é divertido, no entanto, não é a confirmação da existência de «meninas de Bragança» pelo país fora. Até dá um certo colorido. É a existência das Mães de Bragança, entretidas com a moral. Mas Bragança evoluiu, Bragança cresceu, Bragança modernizou-se, Bragança vai na senda do progresso; segundo parece, como conta um agente do SEF, os pobres homens de Bragança, em vez de passearem pelo Largo da Sé e subirem e descerem a Rua Direita discutindo a geada, o futebol e o isolamento do Nordeste, ou consultarem o catálogo do Museu do Sr. Abade de Baçal, são seduzidos por «anúncios publicados na imprensa» e caem na perdição, dirigindo-se na calada da noite até apartamentos alugados por brasileiras. Ah, fossem cidadãs de Vila Flor, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé ou Vinhais -- e tudo se explicava. Mas ainda por cima são brasileiras, não têm bigode e sabem-na toda.
Mas como o Altíssimo é perverso, o Expresso contará ainda mais esta miséria: «Duas das quatro mulheres mais activas do movimento contra a presença das meninas brasileiras na cidade, estão hoje divorciadas. E uma delas perdeu o marido para uma das prostitutas que tanto repudiava.»
Tudo isto ficaria bem num romance de Jorge Amado, se o retrato tivesse uma luz de decência ou de malandrice. Mas no meio do país sonso, de plástico sujo, incomodado com o espelho, eu limito-me a sugerir que Bragança deve ser defendida como uma explosão de sensualidade. E exorto bandos de machos fesceninos e malandros, a perderem a vergonha e a encaminharem-se para as portas da cidade, ao engate: às senhoras de Bragança, rapazes, às senhoras de Bragança!

Autoria e outros dados (tags, etc)


13 comentários

Sem imagem de perfil

De carlosbarbosaoli a 24.04.2008 às 23:29

Na segunda feira, na Conferência promovida pela AIEP, para comemorar os 30 anos, o caso das Mães de Bragança foi citado por Mário Mesquita como exemplo de que ao contrário do qu acontecia após o 25 de Abril, hoje Portugal só é notícia no estrangeiro , por "fait divers".
Marta de La Cal pediu a palavra e disse:
"Está enganado! A reportagem só pretendia focar a situação do tráfico de mulheres e da exploação sexual que existe em todo o mundo. Bragança foi apenas um exemplo de um microcosmos que estava masi à mão!"
Sem imagem de perfil

De Dinis Costa a 25.04.2008 às 00:47

Não podia estar mais de acordo com o Post anterior.. Básicamente e sem falinhas mansas que hoje é dia da liberdade: cresci em Bragança, é a minha cidade, vivi em Lisboa e hoje vivo no Porto: há mais prostitutas na rua duque de loulé em Lisboa e na Rua da Constituição, no Porto, do que em todo o Distrito de Bragança. O seu post é rídiculo, revela uma suprema ignorância ou então, mais grave, não percebe que uma suposta boa ideia,deixa de o ser se insultar (injusta e demagógicamente) um conjunto de pessoas..
Sem imagem de perfil

De Dinis Costa a 25.04.2008 às 01:03

O comentário anterior não está completo: falta dizer que lá o espero a ver que "senhoras" vai vossa excelência seduzir. E aproveito para perguntar: é mesmo "senhoras de bragança" que quer dizer, incitando a sua "rapaziada" a jogos de sedução de resultado muuiiito duvidoso, ou quererá dizer, prostitutas? Bom se é prostitutas não se dê ao trabalho da viagem, há , concerteza, aí mais perto de sí. ...bem mais perto do que imagina...ou do que pensa!
Imagem de perfil

De FJV a 25.04.2008 às 09:06

Ó Dinis, não sabia que também era de Bragança.
Sem imagem de perfil

De Dinis a 25.04.2008 às 15:49

Mas o que é que isso quer dizer: "não sabia que também era de Bragança"? Foz-Côa é Bragança? Not in my map. Olhe, bom feiado e melhores inspirações.
Sem imagem de perfil

De PR a 25.04.2008 às 01:43

Curioso, curioso...
Sem imagem de perfil

De Briga n' Tino a 25.04.2008 às 02:10

O momento brilhante é este:
"... país sonso... incomodado com o espelho..."

Quanto ao desafio: às senhoras de bigode? Que não a sabem toda? Sim, para os fetichistas, que serão apenas uns quantos.

Não será essa empresa mais da competência da... Segurança Social? Mandar uns balarinos de tanga pôr esse mulherio aos gritos? Sossegar-lhes os incêndios da menopausa...?
Sem imagem de perfil

De Ana Cristina Leonardo a 25.04.2008 às 17:29

Seria uma forma bem adequada de comemorar o 25 de abril!
Sem imagem de perfil

De JL a 26.04.2008 às 10:58

«-Oh, FJV, a Senhora está no céu. Estas são putas.»

Adaptado de um texto humilde que eu mesmo escrevi e que se intitula «Instantâneo de Lisboa à Noite - Anos 60.» Podia ser hoje, claro que podia.

E de putas Bragança é um pequenino ponto no mapa dominado pelo Porto e por Lisboa. E elas vêm do Brasil, maioritariamente, é certo, mas também dos países de leste. As "nossas" fizeram-se mais finas. Têm apartamentos de luxo, um número de telemóvel específico para a função e chamam-se acompanhantes. De luxo.
Sem imagem de perfil

De francisco a 27.04.2008 às 16:03

Fesceninos " ?
Não encontrei tal palavra no dicionário .
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.04.2008 às 16:44

Francisco, é a primeira vez que cá comento um post seu, mas gostei...Sou mulher, sou uma acérrima defensora dos direitos das mulheres e, como tal, uma voz contra o tráfico de seres humanos, mas tem toda a razão- este episódio das Mães de Bragança é tão caricato quanto dramático- que o drama de uns é a comédia dos outros já o sabemos há milénios, mas que homens feitos que frequentam "antros da perdição" devam ser protegidos por mulheres que assumem perante a sua cara metade mais o seu instinto maternal que o outro é de ir ao riso e não parar!
Por que não intitularam o movimento como "Mulheres de Bragança"? Por que motivo sentiram a necessidade de invocar a autoridade maternal? Que país mais edipiano, Meu Cosmos!"
Para além do mais, este país é tão xenófobo que até, nestas matérias sensíveis, o caos, o mal , é sempre exógeno, a responsabilidade é atribuída sempre ao intruso e nunca a quem lhe emprestou as chaves de casa para o assalto...Nas narrativas que incluem conflitos de interesses são estes na forma umbílica que prevalecem sobre princípios- resultado: "aos nossos " a culpa é sempre alheia- por piores actos que cometam a responsabilidade é sempre dos outros...Desta vez, calhou a rifa a prostitutas- bem, que bela profissão para bode expiatório maximizado! Melhor só se fossem travestis!
Sem imagem de perfil

De Isabel Metello a 27.04.2008 às 16:45

Esqueci-me de assinar, que eu nunca gosto de comentar anonimamente. Aqui fica: Isabel Metello

Comentar post


Pág. 1/2




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.