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Zangados.

por FJV, em 05.03.08
Um amigo que vive noutro continente, ao jantar, conferindo o estado da pátria: «Está tudo muito zangado. Liguei a televisão e vi um ex-polícia muito zangado a falar de crimes. Vi os jornais e está tudo muito zangado a falar de política.» Agustina Bessa-Luís falava de «certos períodos em que o ódio é mais abundante». Talvez este seja um deles. Há ondas de ressentimento que afectam as pessoas; dispara-se para a ASAE, para o Ministério da Educação, para o Benfica ou o FC Porto, para os pobres funcionários das repartições; não que não haja razão. Nestas alturas lembro a poesia apenas por dislate; há um poema de Manuel António Pina em que se reflecte sobre «a origem da poesia» e a sua «natureza», para depois, diante de um velho funcionário de uma repartição, amedrontado no seu guichet, se fazer esta pergunta: «E o que fez a poesia por este senhor?» Fomos ficando insensíveis, provavelmente. Há certas alturas em que a zanga é a linguagem habitual, a mais normal. São períodos que antecedem a mudança ou a indiferença. Creio que virá a segunda hipótese.

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1 comentário

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De C a 06.03.2008 às 07:31

Podem chamar-se períodos de mudança de paradigma. Mas nós temos tido tanta mudança. Ah grande Manuel António Pina. Bela questão.

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