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A onda de crimes.

por FJV, em 06.03.08

Basta atravessarmos uma “onda de crimes” para logo aparecerem estudos que garantem que a criminalidade não aumentou. Tiro e queda, salvo seja. Anteontem, como se esperava, lá foram apresentados os números de mais um “observatório” que tem “acompanhado a situação”. A fase seguinte seria, logicamente, encabeçada por uma douta reflexão sobre a necessidade de não reagir “a quente”. Foi por isso que o ministro da Justiça anunciou que confia na Policia Judiciária e que se prepara mais legislação. Esse é um golpe baixo, caro Alberto Costa. Mais legislação? Os bandidos estão encurralados. Com essa novidade, eles tremem, do Minho ao Algarve. Mas há uma terceira reacção; ainda não apareceu à luz do dia, mas calculo que se prepara: um sociólogo, ou equiparado, virá dizer que a culpa deve ser atribuída à imprensa, que dá espaço a mais aos crimes que têm vindo a ocorrer. Nessa perspectiva, a imprensa não deve pingar sangue; devia, para proteger as instituições, pingar mentira.

[Da coluna do Correio da Manhã.]

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8 comentários

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De rms a 06.03.2008 às 09:56

E não demorou mesmo... Foi já ontem ao final da tarde, no Rádio Clube!
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De LMR a 06.03.2008 às 12:32

Este país é lindo no que toca a números e estatísticas, mas para quem morreu ou sofreu uma perda trágica não servem para nada.
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De nuno ferreira a 06.03.2008 às 13:05

No ano passado morreram 140 e tal pessoas de morte violenta, a maioria porque alguém se meteu com a mulher ou o homem alheio. Pergunto: Quantos morrem na estrada por ano? Essa é a verdadeira onda, o nosso tsunami.
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De Rui Pedro a 06.03.2008 às 14:31

O Francisco, de tanto visar demagogos e populistas nos seus escritos, acaba por assimilar-lhes as técnicas. Uma delas é essa, a de criar um molde prévio, extremo, onde encaixar automaticamente todos aqueles que divirjam demasiado da sua opinião (que é uma espécie de centro de onde brota toda a sensatez). Portanto, ficam avisados: qualquer sociólogo ou similar que agora ouse pôr em causa o tratamento dos jornais a estas notícias, só pode estar a sugerir que, pelo contrário, eles deveriam suavizá-las, omiti-las, branqueá-las. Não há meio-termo, ou é branco, ou é preto.
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De J.Ventura a 06.03.2008 às 14:52

Se os numeros absolutos da criminalidade estao a baixar , independentemente das aspas que se ponham nos observatorios e no acompanhamento da situacao , porque razao a cobertura mediatica da mesma criminalidade nao acompanha a tendencia? Nao ha uma obrigacao de reflectir a realidade o melhor possivel?
A onda de crimes so existe nos jornais e na televisao , como esta' demonstrado , mas claro que 'e mais facil acreditar e defender a imprensa quanto mais nao seja por profissionalismo.
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De oculta a 06.03.2008 às 15:54

Aconselho aos que acreditam nas estatísticas do crime a darem uma olhadela num manual de sociologia do crime. Acontece que existe grande diferença entre o número de crimes denunciados ( os das estatísticas ) e crimes praticados. Há o conceito de criminalidade oculta , que não é medido , obviamente , e que corresponde aos crimes que não saõ objecto de denuncia. E a verdade é que já poucas pessoas se dão ao trabalho e à perda de tempo de irem para a esquadra queixarem-se do roubo da mala ou carteira , ou de outro dano relativamente pequeno ,dado de aí não resultar nada de positivo.
Perante certo tipo de crime muitas pessoas singulares , ou até firmas , não apresentam queixa , sobretudo aquelas que já passaram pela experiência de ir a uma esquadra preencher intermináveis papeis , e quando os criminosos são apanhados , terem de ir a tribunal não sei quantas vezes , perder tempo outra vez...e o tipo sair em liberdade .E às vezes ainda levamos uma multa por não comparecermos no tribunal.
Fazendo o balanço custos / benefícios da apresentação de queixa , mais vale comer e calar.
E também existe diferença entre o crime denunciado e aquele que é efectivamente julgado : muitas denuncias são retiradas , sobretudo no que se refere a violência conjugal. A senhora formula a queixa no calor da raiva e dias ou semanas depois , retira-a.
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De J.Ventura a 07.03.2008 às 16:42

Nao se trata apenas de acreditar ou nao nas estatisticas e duvido que dar uma olhadela num manual seja base para dizer ou perceber grande coisa , mas fica a sugestao .Dizer que "E a verdade é que já poucas pessoas se dão ao trabalho e à perda de tempo de irem para a esquadra..." 'e partir do principio que "dantes" todos os crimes eram denunciados. A diferenca esta' no "ja'" , e vem em linha com a idea da degradacao geral de tudo. Esta' tudo a piorar. 'E uma diferenca de percepcao , porque os meios de percepcao estao congestionados com o trabalho da imprensa que insiste em acreditar que a alternativa a “pingar sangue “ 'e “pingar mentira”.
'E certo que muitos crimes nao sao denunciados, mas os crimes violentos , esses que enchem a imprensa (logo, foram denunciados) e que fazem com que se apercebam "ondas de crime " e fazem as pessoas sentir-se inseguras , nao estao a aumentar. Quanto ao crime que efectivamente vai ou nao a julgamento, tambem nao 'e relevante para a questao das estatisticas: va' ou nao va' , ja esta' contabilizado.Se nao se acredita nestas estatisticas , mesmo com a ressalva da criminalidade oculta , acredita-se que se vive mesmo uma onda de crimes.Se olhar para a seccao internacional de um noticiario da noite , parece-lhe a que o mundo esta cada vez mais mergulhado em guerras sem fim.Se for ver os factos ( mas mais fundo que uma olhadela) vera' que os conflitos armados no mundo continuam a diminuir desde os anos 90.
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De Ente lectual a 06.03.2008 às 23:14

Grande post, com humor e tudo, imagine-se.

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