Há uma sensação de perda, com a morte de Maria Gabriela Llansol. Pelos seus textos, pelo seu afastamento, pela sua distância. Não sendo ficcionista, nem romancista, Llansol era prosadora. Tinha uma ideia da prosa, do sentido e da escrita. Estava para lá do romance.
Também tive uma sensação aguda de perda. Não foi logo que soube de onde vinha essa dor. É que Maria Gabriela Llansol foi em mim uma catalisadora de um segundo nascimento para a literatura, com a trilogia da Geografia de Rebeldes. Os nomes ainda invocam em mim espaços abertos de luz e de nitidez: O Livro das Comunidades... A Restante Vida... Na Casa de Julho e Agosto... Depois, a intensa, incondicional e comovente amizade por Vergílio Ferreira, sobre quem eu não tenho palavras para dar uma ideia do que ele sempre representou para mim. Sim, que mágoa súbita e triste, ao saber da sua morte.