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Jurisdiquês.

por FJV, em 25.02.08

As novelas da Justiça portuguesa deviam indignar-nos. A palavra está gasta e não significa nada – mas poderíamos ser mais claros: devíamos zangar-nos. Já estávamos preocupados, mas agora devíamos zangar-nos mesmo. Ontem, no CM, João Vaz chamava a atenção para o descrédito que banaliza qualquer decisão dos tribunais sobre questões políticas e partidárias. Tem toda a razão. A mesma coisa acontece nos processos relativos ao Apito Dourado, sob os quais pende a desconfiança de estarem sustentados em profissões de fé, ou pura ignorância, dos investigadores ou dos magistrados. A guerra entre a Procuradoria e o governo é outro dos enredos que pode vir a terminar mal. Para já, desconfiamos das investigações, desconfiamos dos juízes e desconfiamos dos processos. Acabaremos, mais tarde ou mais cedo, a desconfiar da lei – o que seria uma tragédia, num país que tanto gosta de legislar sobre tudo e que se transformou numa cacofonia onde toda a gente fala ‘jurisdiquês’.

[Na coluna do Correio da Manhã.]

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5 comentários

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De Ente lectual a 26.02.2008 às 14:07

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De JN a 26.02.2008 às 15:35

Desconfiar da lei é salutar.
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De António a 26.02.2008 às 23:47

É lamentável. Absolutamente.
O descrédito e a pedra-lançada-continuamente-para-obstrução da justiça!
E isto é doentio. Nada salutar.
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De Teresa a 27.02.2008 às 10:45

E isso será um fenómeno exclusivamente português? Estou a lembrar-me do O.J. Simpson e de como o espectáculo da justiça, e a sua globalização, nos deu a todos, a cores e em directo, as primeiras imagens dos pés de barro de uma Justiça que, depois de operada pelos melhores cirurgiões, deixou de ser cega há muito...
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De guy a 27.02.2008 às 16:04

Acho que, realmente, a desconfiança deve começar na lei, ou em quem a faz...

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