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Leiam e aprendam. Zil gmor(*).

por FJV, em 29.01.08


Absolutamente notável, certeiro, cheio da generosidade cruel que marca os grandes espíritos. Aplaudo, cito e recomendo:

«Um europeu bem instalado há muito esqueceu o motivo pelo qual os avós rapavam o prato com o pão. A guerra tem destas coisas: harmoniza os comensais.
O excesso de mesa, mais pela quantidade do que pela qualidade, é um sinal de demência social. Já não nos recordamos do que é apreciar uma batata velha e fugidia, já não não sabemos o que é matar a fome. Talvez por isso a angústia dos que tentam chegar não nos impressiona. E perdendo essa memória da fome, perdemos a memória da partilha. Já não se conhecem os comensais. E isso nota-se.»

Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

Zil gmor: assim termina uma das falas mais famosas do rabi Hillel, quando alguém lhe pediu para resumir a Torah numa só frase: «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. O resto são comentários. Vai e aprende. Zil gmor

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1 comentário

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De Ângelo Eduardo Ferreira a 30.01.2008 às 13:34

Nunca é demais lembrar. Apesar dos nossos defeitos - e podem ser muitos -, esse deve ser o caminho. O resto são comentários.
Procuro lembrar-me todos os dias disso, sem moralismos, sem pieguices, com o realismo necessário.
Eu também senti alguma fome - até tenho vergonha de o dizer, pois não foi nada comparado com estas pessoas - quando era miúdo, vindo de África como filho de retornados, essa espécie de gente que "roubava e matava os pretos", esses fascistas. Lembro-me que ao jantar o meu pai dividia a pouca comida em 4 partes iguais (2 filhos, mãe e pai, por esta ordem). Lembro-me também de a minha mãe dizer muitas vezes que não lhe apetecia mais - coitada - para que nós pudéssemos ficar com mais alguma coisa. E mais tarde, à hora de deitar, quando o estômago apertava, bebia-se uma aguinha. Bem, envergonho-me quando falo disto, que é realmente ridículo. Só falo disso porque há necessidade de o recordar, recordar a partilha da mesa, e que a felicidade é uma mesa que tem de ter lugar para os outros. No fim, ficaremos todos melhor.

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