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Não consigo ler Jane Eyre, de Charlotte Brontë, sem achar que se trata de um dos grandes romances. Poderia ser o grande romance, se não houvesse Tristram Shandy, que não sei bem o que é. Sinto o mesmo em relação a uma série de títulos como Orgulho e Preconceito (apetece sempre dar um empurrão a Fitzwilliam Darcy), de Jane Austen, e, sobretudo, acerca de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë. Este último, é também uma imagem brutal que vem da minha adolescência e que me lembra o conformismo da obsessão amorosa; e tem aquelas paisagens belíssimas – desde logo, a própria paisagem do título. Mas Jane Eyre é uma história que não necessita de consolo, a de um confronto entre deserdados da beleza (tanto Jane como Edward Rochester); e Jane é o modelo da mulher independente que ganha o direito a sobreviver. Em quase todos os romances de que gosto há essa luta pela independência e pela sobrevivência, em que a ideia de dignidade é o cenário em que tudo decorre; deve ser outro tipo de obsessão. Agora, que folheei Jane Eyre de novo, insisto que um grande romance pode ser também poético, cheio de paisagens e de incêndios.
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