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Os romances. A beleza.

por FJV, em 18.12.07


Não consigo ler Jane Eyre, de Charlotte Brontë, sem achar que se trata de um dos grandes romances. Poderia ser o grande romance, se não houvesse Tristram Shandy, que não sei bem o que é. Sinto o mesmo em relação a uma série de títulos como Orgulho e Preconceito (apetece sempre dar um empurrão a Fitzwilliam Darcy), de Jane Austen, e, sobretudo, acerca de O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë. Este último, Wuthering Heights, deixa-me sempre perplexo, obviamente por causa da frieza de Heathcliff e do drama de Catherine – e do seu mau julgamento acerca do amor. Wuthering Heights é também uma imagem brutal que vem da minha adolescência e que me lembra o conformismo da obsessão amorosa; e tem aquelas paisagens belíssimas – desde logo, a própria paisagem do título. Mas Jane Eyre é uma história que não necessita de consolo, a de um confronto entre deserdados da beleza (tanto Jane como Edward Rochester); e Jane é o modelo da mulher independente que ganha o direito a sobreviver. Em quase todos os romances de que gosto há essa luta pela independência e pela sobrevivência, em que a ideia de dignidade é o cenário em que tudo decorre; deve ser outro tipo de obsessão. Agora, que folheei Jane Eyre de novo, insisto que um grande romance pode ser também poético, cheio de paisagens e de incêndios.

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6 comentários

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De Tiago Galvão a 18.12.2007 às 01:07

Caro Francisco, acho sinceramente que estás a amolecer.

Um abraço,
Tiago.
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De Daniel a 18.12.2007 às 09:25

Sempre achei que um bom livro, é um sítio onde apetece estar.
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De nils a 18.12.2007 às 09:42

Desculpe a desconsideração para com a sua veia de (melhor) blogger político, com quem tantas vezes discordo, e outras menos concordo. Deste Francisco José Viegas, o guardador humilde que ama os livros, muitos de nós alimentamos as saudades com esperança de o rever. Pedem-se mais textos assim!
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De Mónica a 18.12.2007 às 21:54

a dar vontade de reler esse que foi um dos primeiros romances (e do qual não recordo nem uma frase, nem um assunto: apenas a capa gasta de todas as releituras e a lombada larga).
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De Anónimo a 18.12.2007 às 23:17

Francisco,
Jane Eyre é o romance da minha vida. Aprendi a ler, a escrever e a viver com esta heroína. Se estás a amolecer, amoleces bem.
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De isabel prata a 19.12.2007 às 16:03

Há poucos dias escrevi : http://coisaspoucas.blogspot.com/2007/12/jane-eyre.html
e transcrevi uma passagem:

http://coisaspoucas.blogspot.com/2007/12/laos-de-ternura.html

Partilho completamente da sua opinião acerca de Jane Eyre, já o mesmo não direi dos outros dois. È verdade Heathcliff é um personagem (uma personagem?) medonha mas fascinante.

Se não leu aconselho a biografia As Irmãs Brontës, Margaret Lane.

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