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O mundo perfeito.

por FJV, em 16.12.07


Eu bem os compreendo. O mundo seria perfeito, mas não é. Não vai ser. Pensamos que basta dar o exemplo, ler, ouvir música, oferecer livros, sermos honestos – e generosos, educados, prestáveis, interessados, tolerantes. Com isso o mundo seria melhor. Mas não basta, infelizmente não basta. Com isso, os adolescentes das escolas seriam pessoas melhores, não usariam aquela gramática de grunhos, não faltariam às aulas, não desdenhariam dos professores que se esforçam e lhes ensinam a diferença entre o culto e o inculto, o cru e o cozido, o bem e o mal, o frio e o quente. Mesmo dos outros, que não acreditam que existe um bem e um mal. O mundo seria perfeito. As famílias seriam honradas, pacíficas, passeariam ao domingo, fariam piqueniques, todos ajudariam a arrumar a cozinha e dormiriam a horas. Os nossos filhos leriam Dickens e Eça – ou, na pior das hipóteses, arrumariam os livros nas estantes. Eu bem os entendo – mas não basta. É necessário ser cruel, é preciso usar a autoridade quando não se quer, é indispensável dizer não quando até poderíamos dizer sim, pensar no que significa, de facto, a palavra exigência. A vida não é fácil. Não nos basta sermos o que somos; é sempre necessário sermos perversos e sentirmos culpa.

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5 comentários

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De henedina a 16.12.2007 às 10:00

Vá conte lá, qual foi o não que teve dizer ao seu/sua filho/filha. Não percebe que o mundo é perfeito quando não é perfeito?
Em relação à culpa que eu tenho qb, já a vi descrita como uma ferramenta "atormentadora" ligada aos cérebro das mulheres (ou qq coisa assim) não será uma herança judaico-cristã? Será que os povos que não passaram por isto tem esta dicotomia crime-castigo. Eu quando faço qq coisa errada, basta uma palavra que não devia ser dita fico tão, mas tão arrependida que é nessa altura que se desmonta toda a minha personalidade e de independente e inteligente (sou convencida), passo a dependente e burra. Acho a perversidade e a culpa se aprende em criança por isso são os pais os "culpados" que o mundo não seja "perfeito" como o entende. Ler D e E não melhora este binómio, a perversidade em D e a culpa na Relíquia por ex.
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De henedina a 16.12.2007 às 10:03

a existência de culpa (vê já fiquei com culpa) há
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De henedina a 16.12.2007 às 10:05

aprendem ( porque nunca faço na vida e nos blogues preview???)
Culpa judaico-crista
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De Cristina GS a 16.12.2007 às 10:47

Bom-dia, Francisco,

Respirei com este post. Gostei. Depois comento com mai tempo, agora estou a exigir às minhas filhas que desliguem a televisão para irmos ao jardim e endar a pé pela cidade. :)
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De Milton Ribeiro a 17.12.2007 às 17:18

Aconteceu de este post duplicar-se por inteiro em meu blog.

Sem culpas, mas com o devido crédito.

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