«Um médico (a Sábado cita o dr.Themudo Barata) proclamou esta semana que não comparticiparia uma intervenção às coronárias de um fumador. Talvez um dia esse senhor tenha sexo com uma/um prostituta/o sem preservativo ou ultrapasse os 200km/h e vinte traços contínuos. Fez o que quis consciente dos riscos, não foi? Então que pague do seu bolso. Até ao último tostão.» {Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado.}
não fumo e admiro a coragem do Dr Themudo Barata, mas não concordo, sabiam que 1,9% da colecta fiscal vem dos impostos sobre o tabaco, deve dar para pagar umas coronariazinhas, não acham??
As declarações do médico não passam do mais puro fascismo higiénico que agora em nome da nossa saúde quer controlar todos os aspectos das nossas vidas. Concordo com a limitação do uso do tabaco até porque o seu uso incomoda os outros. Mas não comparticipar numa intervenção às coronárias de um fumador é no mínimo criminoso. Por essa ordem de ideias eu também não quero comparticipar numa intervenção no Dr. Barata por qualquer disparate que ele faça. Aliás, eu nem quero dar parte do meu ordenado para médicos que, como ele defendem estas posições fascistas e são pagos pelo erário público.
Cada um tem o direito de se suicidar com o que quiser! Para quem fica tão aflito com a hipótese de não ter dinheiro para pagar a cirurgia às coronárias deve saber também que: Os tais violentos impostos que paga quando compra o tabaco, NÃO PAGA 0,1% das despesas (médicas e afins) provocadas pelo seu consumo. Seria mais democrático que quem fuma, pagá-se o que consome!(Enfartes, amputações, cancros por todo o lado, etc,)
Parece eugenismo: Os recursos são limitados. Todos os dias se fazem opções: operar, ou não, este e não aquele. Os resultados ficam comprometidos se o doente fuma. O pós-operatório mais longo e complicado. A morbilidade e a mortalidade maiores. Os ingleses, e não só, colocam estes doentes no fim da lista.
De médica que também explica a 15.12.2007 às 22:35
e então os senhores concordariam que também fossem excluídos das cirurgias coronárias pagas pelo estado os frequentadores de McDonnalds e outros pecadores da gula? e todos os sedentários do mundo? e excluir dos tratamentos à SIDA todos os que a contrairam por vias menos recomendáveis? e já agora, ficarem de fora das caríssimas UCI todos os politraumatizados por excesso de velocidade ou com excesso de alcoól no sangue (ou exigir-lhes uma comparticipação nas devesas progressivamente maior conforme o excesso em causa)?
se isto é um médico se isto é um homem onde é que eu já vi isto?
Sou médico. É completamente inaceitável esse tipo de atitude, quer do ponto de vista profissional, ético, humano, etc., e penso que o médico deve apenas tratar e jamais julgar. Mas os tempos andam mudados e têm surgido posições inaceitáveis como esta que revelou. Fica aqui a minha completa discordância. Pouco vale.
Almas pueris e caridosas!!! Uns dos mais prestigiados (e merecidamente) Serviços de Cirurgia Cárdio-Torácica (também são poucos) não opera doentes gordos. Todos os cardiologistas portugueses o sabem. Nenhum protesta