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Os ecologistas que comam bacalhau.

por FJV, em 13.12.07


A fama é isto: nós, portugueses, somos devoradores de bacalhau. Posto isto, um ecologista pediu-nos (a todos nós, mesmo os que dão fazem parte da esquadra natalícia) para comermos menos bacalhau porque se trata de uma espécie em vias de extinção. Depois deste apelo, vários outros se seguiram, nos dias seguintes (a ordinarice é uma vaga de fundo), e com outros intérpretes (eles multiplicam-se nestas ocasiões) sempre de dedinho em riste: somos uns bárbaros, andamos a destruir o planeta com a nossa mania de comermos bacalhau, devíamos ter vergonha.
Finalmente, acabo de saber, graças a Dorean Paroxales (agradeço muito, Dorean), do blog Verdade ou Consequência, que «na Grã-Bretanha se come um terço de todo o bacalhau pescado no Mar do Norte» Mais: «Na sua maioria irá ser coberto por uma camada farinácia e frito até à medula. Quando chega ao prato a espessa cobertura poderia esconder qualquer peixe e a fritura qualquer sabor. Mas eles insistem no bacalhau; aparentemente, é mais barato que a arinca (haddock).»
Pois acabo também de saber, pela Isabela (do O Mundo Perfeito),
que «os povos do Báltico comem tanto bacalhau como nós»; entretanto, ela descobriu que «os MacFish são feitos de bacalhau».
Portanto, ecologistas, cresçam (como o bacalhau) e compareçam à mesa. Não me lixem.

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12 comentários

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De PD a 14.12.2007 às 03:18

Fish and chips. Bem bom. Com uma ervilhas semi-cruas, tartar sauce e uma pint de Bass.
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De al cardoso a 14.12.2007 às 09:05

Esses cavalheiros e "cavalheiras" que vao mas e pentear macacos e fiquem por la!

So e pena estar tao caro, porque a assim nao ser comia-o muitas mais vezes!

Um abraco d'Algodres.
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De Luís Fonseca a 14.12.2007 às 12:29

E a punheta " de bacalhau, está na moda no Brasil. Conforme notícia do Globo Online.
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De bacalhau fedorento a 14.12.2007 às 12:46

são sempre os outros, não é?
quando acabar acabou. depois arrotas para o lado e toca a comer a espécie em extinção seguinte. se os ingleses fazem, nós também podemos. e fica sempre bem ofender os ecologistas, quando se tem a barriga cheia de merda.
bom proveito então!
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De Ana Cristina Leonardo a 14.12.2007 às 13:25

O apelo dos "ecologistas" seria desnecessário. Os portugueseses já trocaram o bacalhau pelo salmão, ou eles ainda não deram pela coisa?
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De Laura Diniz Leite a 14.12.2007 às 13:30

Não sei se o caro FJV já ouviu falar da Tragédia dos Comuns. Caso não conheca (ou depois do seu post, mesmo conhecendo), convido-o a visitar a página do Wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Tragedy_of_the_commons), por exemplo. Então quer dizer? Se outros apanham eu vou apanhar o dobro para não ficar a perder???? Por favor, pense um segundo sobre o post que acabou de colocar no seu blog. E aconselho-o também a visitar a página do ICES ou do NOAA para ver o que esses "ecologistas imaturos" andam a fazer e a investigar. e já que é tão presunçoso para achar que as medidas e apelos dos ecologistas foram feitos para o chatear, tente interpretar os número e figuras relativas a várias espécies (não só o bacalhau), que a pesca industrial praticada nos países desenvolvidos do Norte captura a um ritmo desenfreado há cerca de 50 anos.
Desculpe dizer, mas precisa de se informar. este post está realmente muito básico.

Ass: uma bióloga marinha que adora bacalhau.
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De FJV a 14.12.2007 às 15:19

Ó Laura Dinis Leite: agradeço os ensinamentos, mesmo sendo presunçoso como admite que sou, e básico, e ignorante e mal agradecido. O problema não é a escassez de bacalhau denunciada pelos ecologistas; é o sentimento
de culpa descarado que se pretende passar aos bárbaros que são conhecidos por comer bacalhau, os portugueses. Esse apelo internacional à denúncia dos portugueses, feito pelas boas consciências ecológicas do mundo civilizado, é hipócrita -- na verdade não somos os maiores consumidores de bacalhau. Apenas o consumimos de forma muito moderada e, agora, morigerada -- uma vez que está cada vez mais caro e é substituído por outros peixes (ou não peixes). É fácil culpar a nossa «voracidade». Por isso, sinceramente, não me venha com a boa consciência e diga-me, primeiro, qual é o país que registou um decréscimo mais acentuado no consumo de bacalhau nos últimos anos. Eu respondo já: Portugal. Fale com qualquer armador da pesca do bacalhau de Aveiro, e eles dirão. Ou com os comercializadores de bacalhau e eles darão gratuitamente a informação sobre quem pesca, efectivamente, mais bacalhau.
A primeira tarefa dos «ecologistas militantes» (é desses que falo, uma vez que a «consciência ecológica» é outra coisa, de que todos participamos) seria falar do assunto internacionalmente; mas, também para eles, é mais fácil criar um «problema de culpa» no nosso cardápio. Portanto, se fala na indústria dos países do Norte da Europa, é uma coisa; se fala na culpa dos portugueses, é outra inteiramente diferente. Sabe por que razão os portugueses criaram pratos tradicionais de bacalhau, em que se faz o aproveitamento de todo o peixe e a sua reutilização? Não é apenas por uma questão culinária. É porque existe a necessidade de (basta investigar a história da alimentação portuguesa) de poupar, quer em termos económicos, quer em termos ecológicos, se quiser. Dava uma boa história, mas não é tão simples como os ecologistas militantes querem fazer crer, com a ideia de que as preocupações ecológicas nasceram apenas agora. Pelo contrário, são bem antigas. De contrário já teriam desaparecido as trutas nos rios do norte, a lampreia no Minho e a perdiz nos campos. Lembra-se de quando os pobres pescadores açorianos foram acusados de serem os grandes assassinos do mar por terem caçado baleias no Pico nos anos 80? Representava apenas 0,02 da caça à baleia. Mas os portugueses eram um alvo fácil.
De resto, creio que já nos cruzámos em Inhambane há tempos; eu estava com um grupo de biólogos marinhos em Moçambique, mas talvez isso não tenha importância. E é assim.
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De Laura Leite a 15.12.2007 às 14:25

Nós não pescamos mais bacalhau porque efectivamente nos foram tiradas as quotas de pesca que nos pertenciam, por direito histórico. A par disso não temos frota longíqua porque nos "esquecemos" de investir nela quando podíamos e tinhamos o dinheiro para isso. Portanto não pescamos mais porque não podemos e não por sermos muito ecologistas :-). E Portugal, apesar de ser dos maiores consumidores de peixe da Europa contribui em muito pouco nessa tal indústria do Norte que os dois referimos. Mas do que eu falei é da nossa consciência individual de consumidores. Compreendi todos os argumentos da sua resposta, mas será que Portugal pode, por exemplo (e aqui começando a cair no exagero) não reduzir as emissões de CO2 só porque os Estados Unidos insistem em não assinar o Protocolo de Quioto?
Foi a isso que me referi, e já agora peço desculpa se argumentei de uma forma pouco moderada, mas sinceramente, não concordo com a ideia de que as medidas conservacionistas foram feitas para chatear os comuns mortais. Fundamentalismos há por todo o lado. E a defender causas ambientais existem aos milhares. E sim, concordo em absoluto, essas mesmas pessoas por vezes esquecem-se que os utilizadores de pequena-escala dos recursos são os primeiros a defendê-los. Mas a pequena mudança de atitude dos países do Norte existiu porque houve alguns fundamentalistas excentricos "bué da chatos" nos anos 60 e 70.
Eu não vou esperar que o Governo, ou a União Europeia faça valer os meus direitos de consumidora. Temos muito pouca liberdade de escolha e se tem que haver uma mudança de mentalidade nos nossos hábitos de consumo então terão que começar em cada um. E quando falo em consumo consciente não falo de sentimento de culpa, e muito menos num sentimento de culpa nacional.
E agora, falando de coisas que importam, não me lembro de o ter conhecido em Moçambique. Na cidade de Inhambane estive muito pouco tempo. Estive sim algum tempo noutras zonas da Província mas não me lembro de ter conhecido portugueses. Mas se sim...
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De ajoaosoares a 15.12.2007 às 09:49

E viva o bacalhau

Feliz Natal
Desejo a todos os visitantes deste blog, a todos os bloguistas, a todos os internautas e, de um modo geral, a todo o Mundo, um
NATAL FELIZ,
com brancura e a luz da estrela que nos guie durante o próximo ano, em ambiente de paz, fraternidade e união de vontades para a construção de uma humanidade mais solidária e feliz.

Época em que devemos esquecer todo o mal, todos os ódios e rancores, e pensar apenas naquilo que de melhor a humanidade pode ter.

Um maravilhoso presente de Natal é-nos dado pelo estado americano de NOVA JÉRSIA que aboliu a pena de morte, dando assim ao Mundo um óptimo exemplo de respeito pelos direitos humanos, a seguir por todos os homens de boa vontade.

Desejo que o espírito de Natal perdure nos espíritos de todos para sempre.
Espero que encontre no blog Do Miradouro (http://domirante.blogspot.com/) artigos do seu agrado. Convido a uma visita.
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De moita a 15.12.2007 às 23:30

vao s todos lixar!!! os animais k s lixem, é assim k voces pensam é so mais uma especie.
essa so n mas sim um ecossistema completo em k podemos mais tarde ficar incluidos!!!!!
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De Dorean Paxorales a 17.12.2007 às 13:12

Ao FJV,

Ora essa, sempre às ordens.

Aos ecologistas ofendidos:

A Noruega tem viveiros que produzirão na próxima década 40000 ton/ano. O objectivo é o mercado inglês pois este peixe será mais adequado para ser vendido fresco.

Por outro lado, há bacalhau que chegue nas águas islandesas ou mesmo no Pacífico... Só que, não sei porquê, fica mais caro. Porque não fazem antes uma campanha para que se importe bacalhau desses sítios?



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De Pedro Brito a 05.03.2008 às 22:03

Para bom entendedor meia palavra basta.
Realmente as mulheres são muito complicadas...

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