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Futebolite.

por FJV, em 13.12.07
No hard feelings a propósito do futebol. José Pacheco Pereira é o mais popular dos bloggers políticos portugueses e tenho por ele um evidente respeito e admiração. Mas não compreendo. Ou seja: entendo o desprezo pela futebolite, pelo excesso de futebol, pelo país engalanado de redes e chuteiras, pelas televisões grasnando futebol, pelo totalitarismo do futebol. Partilho desse desprezo e dessa repulsa. Subordinar a agenda dos telejornais ao futebol parece-me uma excentricidade de subdesenvolvidos. Fazer horas e horas de directo na televisão com manifestações de rua em que toda a gente diz a mesma coisa, somos os maiores, somos campeões, só queremos Lisboa a arder, ninguém pára o SLB, etc., etc., nem sequer posso atribuir ao subdesenvolvimento mas à estupidez; delirar quando um cabecilha alcoolizado de um clube diz uma palavrinha, dependurado sobre o microfone, devia ser classificado como crime e as televisões de todo o país deviam desligar-se em simultâneo.
As pessoas são como são. Pacheco Pereira pode não saber o que é um livre de onze metros e alimentar sérias dúvidas sobre a sanidade dos seus compatriotas quando comentam uma trivela ou a razão por que Paulo Bento fala daquela maneira. Mas há um excesso de hooliganismo anti-futebolístico que me surpreende com os seus sinais de distinção intelectual. Uma coisa é a futebolite, e a sua doença visível ou televisível; outra, diferente, é a natureza da espécie, onde o gene do futebol está inscrito. Esse desprezo é uma coisa muito vista, muito. Digamos que a pegar-se aos limites do inumano.

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9 comentários

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De nuno granja a 15.12.2007 às 00:38

Caro FJV,
Poderá parecer-lhe estranho a atitude de PP, mas para mim é uma reacção natural de quem nunca teve um milimetro de interesse por futebol, nunca viu sequer um jogo da seleção nem na televisão e observa com o interesse que reserva a outros sectores da sociedade os fenomenos associados ao futebol.

O panorama é desolador e vou-lhe dar alguns exemplos;
A chegada do Presidente do FCP ao tribunal de Gondomar "escoltado" pelos superdragões, uma imagem que vale por mil palavras sobre tudo que me causa arrepios e rejeição no mundo do futebol.
O facto de ser portuense, não portista e morar numa cidade em que o presidente da camara eleito teve de ter policia à porta por contrariar os interesses do clube local que presumo que tenha as mesmas más qualidades dos clubes de outra cidades.
Pagar com os meus impostos despesas decorrentes da prática de um desporto, onde quase todos os dirigentes conhecidos são Sopranos pela pratica e estilo e em conjunto com os atletas ostentam sinais de exteriores de riqueza.
Ter de gramar com "representantes" do país como o Mourinho, cujos feitos foram em grande parte patrocionados por um Soprano russo, pergunto-me se a mulher deste treinador quando via o cheque não lhe perguntava "quem é que desta vez ficou sem os joelhos?" como fazia a mulher do cozinheiro/proprietário do restaurantesfequentado por Tony S. e respectiva quadrilha.

Noutras matérias com o conflito israelo-arabe ou a invasão do iraque estou completamente em desacordo com PP, mas no futebol não posso deixar de concordar...sinceramente fora alguns adeptos como o FJV, o meu irmao e outras pessoas que conheço e considero, não vejo nada de positivo nem me sinto representado por essa quadrilha como portuense ou como portugues.
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De nuno granja a 17.12.2007 às 10:56

Nem por acaso um dos detido na operação da PJ este fim de semana fazia parte da "escolta" do presidente do FCP ao tribunal de Gondomar.
Só a falta de discernimento por via de inclinações clubísticas poderão de alguma forma desculpar, branquear ou glorificar tal gente (presidente, claque ou acólitos ).
Pratico desporto há 20 anos sentir-me-ia muito mal se tivesse como companhia na modalidade que pratico gente deste calibre.

nuno granja

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