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por FJV, em 09.11.05
|||Carpe diem. [Nuno Júdice]

Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar
que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso.

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9 comentários

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De Nuno a 11.11.2005 às 23:50

Mais importante é não desperdiçar, que é a forma mais natural de aproveitar o quer que seja
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De katraponga a 11.11.2005 às 19:01

Fantástico, como aliás quase tudo que conheço do NJ.
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De Ernesto a 11.11.2005 às 15:39

óptima maneira de terminar um blog.

A desculpa é viver, portanto...
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De marcus leo a 11.11.2005 às 14:48

ah! o vazio das nossas vidas. o querer fugir-lhe! os nossos silêncios. o querer encontrar o outro! o hoje! o amanhã! estamos vivos. aproveitemos!

obrigado Nuno
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De Anónimo a 11.11.2005 às 00:05

Por acaso, acho um bocado ridiculo essa coisa do Carpe Diem! Essa obcecao em aproveitar o dia, como se fosse o ultimo, parece-me doentia, estupida. Se soubesses que hoje era o teu ultimo dia, irias aproveita-lo nas calmas, a curtir, a saborea-lo? Desconfio que nao! Acho que se pensares que ainda ha muito tempo, que a vida da muitas voltas, que ainda poderas fazer muitas coisas, que tens MUITOS dias pela frente: vives muito melhor!
luis
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De contadordehistorias a 10.11.2005 às 16:44

O incerto do amanhã,não se confunde apenas com a ausência de respostas às questões que nos surgem ao dobrar da esquina quando nos deparamos com nós próprios vindos de um dia anterior, com olhos cansados ainda à procura das respostas que ficaram do outro dia. É um deja vú constante. Nesses momentos somos apenas algo pequeno, tornamo-nos parte de um conjunto de palavras que se vestem de poesia para nos amenizar a constante dúvida de sermos apenas insatisfeitos, com a nossa condição de sermos algo tão pequeno em resposta às dúvidas que o mundo nos coloca...

abraço

Luís Coutinho
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De Anónimo a 10.11.2005 às 14:57

Confiar no precário amanhã, deixar que do acaso - prefiro chamar-lhe vida por saber - e da curiosidade brotem respostas novas a inquietações antigas, adiar momentos, horas, dias e anos, não é existir. Sendo uma a imagem contemplada, menos ainda; não raro ela de nós reflecte o que obstinámos focar - o próprio ser. Como narcisos pendendo para a água parada do regato. Ignorando rios tumultuosos, mares e marés. Limitados. Murchando a cada amanhecer.

Tati
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De Anónimo a 10.11.2005 às 12:04

Viva, permita que me apresente: o meu nome é Jack e gosto muito de escrever histórias (com e sem “h”)… hummm, começar esta apresentação com uma mentira não é nada bom… na verdade o meu nome não é Jack (tem mais pinta assim) mas gosto efectivamente de escrever.
Caso este conjunto de letras tenham suscitado algum tipo de curiosidade (espero!), teria muito gosto que fizesse uma visita ao meu humilde blog.
Desculpe o abuso.

http://doadordehistorias.blogspot.com
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De Ni a 10.11.2005 às 04:18

Olá Viegas!

Sorri ao ler este teu post e lembrei-me de quando eramos companheiros de carteira e conversa nas aulas do prof. Nuno Júdice.
A serenidade da voz, do olhar tímido do NJ, contrastava com os nossos sorrisos ireverentes... naquela fase em que tudo era tão 'sorrível'.
Acabei de copiar este teu texto e de o colocar no meu blog. (Não te zangues!).

Beijo para ti.
Deves estar a pensar 'Mas quem é esta?'

Nina... a CC... Conceição Castro.

Gosto de ti, 'caramba'!
Mas do NJ ainda mais!

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