Caro Luís: apesar de desconhecer qualidades e virtudes homossexuais na minha quotidiana vidinha, amo-o desmesuradamente pelo seu comentário acima. Eu poderia ter dito o mesmo - e já o disse inúmeras vezes - mas o seu testemunho teve ecos de decisão judicial, promologação por decreto-lei ou bula papal: tornou-se oficial. Tiro o meu chapéu ao seu instinto analítico e espero vê-lo mais vezes por aí...
Embora não deseje hostilizar quem quer que seja, não concordo consigo. Primeiro, aborreceu-me ser um blog sem comentários. Depois, entre os dez blogs que o autor elege como os seus favoritos, só o seu é que permite aos leitores comentarem os posts. Ora isso é, na minha opinião, uma arrogância indesculpável. Quanto ao "bom-gosto", é muita gentileza sua: quem elege o João Pereira Coutinho como modelo de escrita não merece um ápodo tão desmesurado. Não é que ele escreva muito mal (nem isso, nem o oposto). Mas aquela afectação de burguesinha fascinada pelo "grande mundo" não é um modelo que se recomende a uma pessoa de bem. Um pouco de descontração não ficaria mal a toda essa gente tão auto-consciente, com uma petulância tão arrepenicada (até porque, se leram Proust, deviam recordar-se da Mme de Sevigné).
Mas esperar que um português com escolaridade média não seja afectado é o mesmo que esperar de um Angolano que não seja negro: é uma questão de genética. E contra isso, nada a fazer.