De Ondjaki a 03.11.2007 às 22:06
"ode lenta a ouro preto"
escrevo as pedras ausentes
luar raso
maresia em estrada
que o sonho traz
saudades dos sinos
que amanhã
hão-de chegar
saudades dos lobos
que longe - bem longe
se esquecem de uivar
escrevo o adeus às pedras
as que não cantam
as que não contam
escrevo estrada morna
acesa
bagaço, raiva, dormência
busco outra e outra vez
os lobos
as luas
o suor das grávidas
o odor raro das estradas
que dormem
nas raras vezes em que o luar
grita
outra e outra vez
o corpo sólido da igreja
que sonha
o calor insano
frio
que o sino
ontem
vai gritar
outra vez
escrevo os sonhos
as pedras
os gritos
dos ausentes
outra e outra vez.
escrevo
luar, calmaria
bilhos secos
nos olhos
na estrada
da maresia...
["investigador de chapéus", ouro preto, 1/11/2007]