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por FJV, em 09.06.06
||| Enquanto isso, em Portugal.
Enquanto as páginas de sociedade discutem a bofetada no gaiato, um tribunal de Guimarães acaba de proferir a sentença sobre «o caso dos atestados médicos», quando as escolas secundárias Francisco de Holanda e Martins Sarmento «receberam mais de 900 atestados para justificar faltas durante a época de provas globais» (foi em 2000). Diz o Público na edição de hoje: «O número de atestados, na sua maior parte alegando cansaço e stress, acabou por levar o Ministério de Educação a repetir os exames e a instaurar um inquérito. O rol de acusados, um total de 251, foi diminuindo à medida que médicos e estudantes aceitaram a proposta do tribunal para o pagamento de uma injunção junto de uma entidade de solidariedade social, em substituição do julgamento, ou apresentaram uma ficha de consulta médica.»
«A decisão é justa, ficou salvaguardada a dignidade dos médicos», disse um dos advogados. 900 atestados, lembrem-se disto. 900 atestados em dois dias. E o tribunal diz «não ter ficado provado que os alunos não se encontrassem doentes na altura». Guimarães faz mal à saúde? Os vimarenenses deviam protestar contra esta suspeição levantada pelo douto tribunal.

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8 comentários

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De Augusto martins a 12.06.2006 às 08:48

Há aqui três situaçãoes bem distintas. A do tribunal, a dos médicos que emitiram os 900 atestados e finalmente mas não menos importante, a dos pais dos alunos que tomaram esta iniciativa, tipo "quórum sensing bacteriano". Agora há duas ilações muito importantes nesta história.

1ª - Avaliar muito bem a importância do peso estatísto deste número 900 no total dos alunos do 12º ano, das duas escolas, à data de 2000, destes acontecimentos, portanto.

2ª - Não nos esqueçamos que é nas mãos destes mesmos pais de alunos que a nossa ministra quer colocar a avaliação dos docentes. E estes não fazem parte, seguramente, do universo dos "pais ignorantes" de que falava a Dra. Fátima Bonifácio.
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De Teófilo M. a 11.06.2006 às 16:37

Calma Francisco, não eram os 900 que estavam em julgamento mas apenas os 251 restantes, pelo que, de facto, deve ter sido difícil ao tribunal com as provas que foram carreadas pelo MP dar como provada tal falsificação.

Restaram os 659 que preferiram pagar as injunções a provarem que tinham razão no dito tribunal.

Bater nos juízes quando merecem está bem, agora foi desajustado, s.m.o..
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De antónio larguesa a 10.06.2006 às 19:28

Pelos vistos, em vez de Barcelos, deviam era ser encerrados serviços no hospital de Guimarães! Elevado risco de contaminação, ainda por cima junto de alunos jovens...
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De Politikos a 10.06.2006 às 12:25

À época ouvi um comentário espantoso de um dos intervenientes no caso. Dizia a criatura que os documentos não eram falsos, eram autênticos, porque passados por clínicos, só seriam falsos ou falsificados se passados por mim ou por si, caro FJV... A autenticidade é, pois, como se vê, uma virtude técnica, não ética...
O Bill Clinton tb não fez sexo com a estagiária, porque o sexo oral não é sexo...
Tudo é possível, pois...
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De pedro figueiredo a 10.06.2006 às 01:27

note-se a cereja em cima do bolo (os 900 atestados): a "dignidade dos me'dicos" ficou salvaguardada. fanta'stico!
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De fvaz a 09.06.2006 às 22:13

Cruzes canhoto, Manolo.
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De alexandre a 09.06.2006 às 19:29

Para existir condenação teria que existir prova de que cada um dos atestados não correspondia à realidade. Que cada uma daquelas pessoas não estava, de facto, impedida de se deslocar à escola e fazer o exame. Isso não é simples e todos sabemos disso.
É evidente que 900 atestados em dois dias é manifestamente ridículo, mas este critério, desacompanhado de outros - que não sabemos se surgiram em julgamento - não chega para condenar alguém, pelo menos num sistema jurídico dito «normal» (maxime - a dúvida favorece o arguido). Mudemos o sistema se quisermos. mudemo-nos a nós para outro sistema se assim o entendermos. Mas tentemos compreender o que existe.

P.S. - De certeza que o tribunal não fez qualquer proposta - certamente terá sido o Ministério Público, que é coisa bem diferente.
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De Manolo Heredia a 09.06.2006 às 16:34

É + uma machadada na credibilidade dos tribunais. Vivemos num país perigoso!
É mais uma confirmação do corporativismo profissional e da protecção que umas corporações dão às outras.
Não me admira que um dia destes um sr. juiz de Guimarães peça ao dr. que ele protegeu que passe uma certidão de óbito de morte natural relativa à sua mulher, que ele assassinou!

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