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Escreve Duarte Moral, assessor de imprensa do Ministro António Costa (além de meu amigo e blogger):
1. É verdade que temos mais meios do que sempre. Basta consultar os dados comparativos dos anos anteriores com este. E, sobretudo, vamos ter uma reserva de meios próprios, não alugados e que estarão sempre ao nosso dispor. Mas o dispositivo, como compreenderás, não pode ser sempre o mesmo, todo o ano. Tem que ser adaptado ao risco. Talvez o País ficasse impressionado se tivesse noção do que é que se gasta para ter esse dispositivo. E, das duas uma. Ou se tem, e se paga. Ou não se tem e não se paga. E se se quer ter mais, paga-se ainda mais.
2. Se verificares no site http:// incendiosflorestais.snbpc.pt tem havido quase trezentos incêndios por dia e muito poucos têm ultrapassado a fase do fogacho, o que significa, objectivamente, que tem havido eficácia no combate à maioria deles, que têm sido apagados logo no início.
3. Este ano, a directiva operacional tem uma estratégia que passa pela utilização dos meios aéreos sobretudo na primeira intervenção, para tentar apagar fogos ainda no seu início. Quando os fogos ganham alguma proporção, os meios aéreos deixam de ser eficazes (é como tentar apagar uma lareira com um conta-gotas...) e devem concentrar-se a apagar outros fogos nascentes. Nessa altura, só o combate terreste faz sentido. Não perceber isto é ceder ao populismo e aos impulsos mais primários das pessoas, certamente compreensíveis, mas para quem o fogo que está à porta de sua casa é sempre o fogo mais importante do mundo. É também a isso que o teu post sobre incêndios parece ceder. É por isso que a gestão dos meios aéreos deve estar a cargo não de políticos, ou de jornalistas, ou de populares, mas de técnicos que saibam o que estão a fazer e tenham uma visão global da situação.
4. Poderás dizer certamente muita coisa sobre aspectos estruturais da questão florestal em Portugal, sobre questões da prevenção, etc, etc. Mas quando a casa arde, só se lembram das questões que têm a ver com o combate.
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