Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



...

por FJV, em 01.05.06
||| De repente.
De repente, a caixa de correio ficou cheia de mails de amigos esclarecidos que tentam salvar-me do descrédito por ter escrito este post miserável acerca da discriminação negativa dos celibatários e das famílias pouco numerosas. Os argumentos são sérios e mencionam a necessidade de salvar a segurança social e as reformas do futuro através do incremento da reprodução. Um leitor diz que o meu BMW (que eu nunca terei) circula pelas auto-estradas porque o Estado paga aos trabalhadores que as constroem. Outro diz que a nossa demografia está pelas ruas da amargura e que é preciso, suponho, que nos reproduzamos. Outra diz que eu sou um egoísta (entretanto saiu o meu artigo no JN sobre o assunto) e que o futuro espera de nós que sejamos, no mínimo, numerosos. Eu concordo com todos, por conveniência do debate. Mas agradeço que me deixem duvidar de que a reforma da segurança social vai aumentar a taxa de natalidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

Sem imagem de perfil

De M em Campanhã a 02.05.2006 às 23:24

não funcionando, permanecerá apenas discriminação. e para estimular a natalidade, que tal assegurar creche e ensino pré-escolar público a todas as crianças?
Sem imagem de perfil

De Sliver a 02.05.2006 às 10:06

http://observatoriodajihad.blogspot.com
Sem imagem de perfil

De Sérgio Aires a 02.05.2006 às 04:21

Claro que este tipo de política não contribui - nem tinha de contribuir - para o aumento da taxa de natalidade. Este argumento foi mais um disparate do tipo "e olha que assim ainda por cima estimulamos a natalidade!". Além do mais, há uma pergunta sem resposta: qual é o limite para a natalidade? Até que idade existem os benefícios? A sustentabilidade da segurança social preocupa-me e estou disposto a alguns esforços suplementares para a sua sustentabilidade mas desde que não arrajem argumentos patéticos para este tipo de reformas e esforços. Só o crescimento económico e o desenvolvimento poderão aumentar a natalidade. Porque não tenho nada contra, pensarei em ter mais filhos se tiver dinheiro para os sustentar, e os meus impostos servirem para ter escolas para os educar, hospitais para os levar (e já agora maternidades onde os ter). De resto, julgo haver nestes argumentos uma pontinha de inconstitucionalidade... Quer queiram quer não é uma discriminação. Ainda o será mais se alguém tiver que fazer prova da sua esterilidade para ficar isento... De qualquer forma, a ideia é ainda mais obtusa quando pensamos na sua concretização. Será que alguém, que sabe quanto custa um filho, vai procriar apenas para ter um benefício fiscal tão insignificantemente ridículo? É que para valer a pena o esforço (façam bem as contas...) era preciso ter no mínimo umas oito crianças! Sabem quanto é que isso significa por mês? Sabem quanto seria uma ida ao cinema? Sabem quanto custariam os livros escolares para todos os meninos? Sabem o que custaria ir de férias com semelhante família? Um aumento da natalidade com estas dimensões (as únicas que poderiam verdadeiramente inverter a actual situação) é apelar - ainda mais - ao subdesenvolvimento e à pobreza dos portugueses. E quando assim for, e o Estado tiver que sustentar toda esta gente, venham-me falar de sustentabilidade da segurança social venham...
Sem imagem de perfil

De Renato C. a 02.05.2006 às 01:18

Este meu comentário padece do mau jeito de ter-se as calças na mão. Ainda assim, apetece-me escrever comó raio. Que tanto eu como a minha contribuinte-fiscal-metade nos encontramos na plenitude dos nossos períodos férteis — cada qual criativo, pois, à sua maneira. E, assim que termine estas linhas, acto-contínuo vou investir numa acção de despejo cuja estratégia me garantiram culminar infalivelmente no nascimento de trigémeos.

Sem dúvida de sombra, é evidente que a reforma da insegurança individual resultará profícua no recrudescimento dos combates destravados nas trincheiras da fornicação que, em consciência, se quer consequente e com fruto. Se daí advirá uma proporcionalidade directa na natalidade, a ver vamos; contudo, se assim não suceder advogo que se implemente um imposto sobre a infertilidade. E se o/a sujeito/a for passivo/a de actos nocivos para a própria saúde procriadora, tais como o tabagismo, o alcoolismo, o pézinho de coentradismo ou o benfiquismo, por exemplo, então multiplique-se por dois a base de incidência do dito. No mínimo. Tem de haver justiça, meu caro. Tem de vigorar (este último termo calha aqui mesmo bem, já agora) o princípio do não-procriador-pagador.

Se queremos estar seguros, temos de ser sociais. Se somos sociais, cada um tem de segurar o que é seu de quando em vez para ajudar os demais no espectro social a segurarem o que é nosso, socialmente falando. Um paradoxo muito mutualista. Aliás, venham daí as seguradoras apresentar novos produtos para quem não procria. Imagino que o Seguro do Pirilau Murcho (morte ou invalidez permanente) vá vender que se farta, mas não estarão cobertas situações de ligeira e fortuita má-disposição ou incapacidade meramente temporária. Upa! Exercício!

Felizmente, o Estado-previdente (pois é: quase, quase, mas não!) pensa em tudo. Brevemente estarão nos escaparates das concentrações de Finanças uns adereços de inegável e preciosa utilidade para a prossecução dos tão cruciais preliminares: os modelos. A saber: F4 (para quem tem 4 filhos), F5 (5 filhos), F6 (6 filhos) e por aí em diante. Bastará levantá-los (isto não soa muito bem…) previamente nas repartições e depois guardar em casa. Minutos antes do coito, cada qual folheia os modelos (haverá cambiantes masculina e feminina) e vai estimulando a sua libido fiscal. Porque homem que se preze gosta de ver uma modelo sensual, com tudo no sítio e ostentando aquele olhar felino que parece ter escrito na testa um sugestivo ‘vou-te sugar tudo’; e mulher que se preze não resiste a um modelo de Estado bem musculado, que entredentes parece segredar-lhe ‘vais fazer o que eu mando’. Estes novos modelos terão tudo para lubrificar o nosso motor contributivo.

Agora que penso nisso, vejo ainda aqui um cenário hipotético mas consistente: fase 1 — aprovação de benefícios fiscais para as famílias numerosas; fase 2 — aprovação do matrimónio entre casais homossexuais; fase 3 — reprovação de possibilidade de adopção para casais homossexuais. Ou seja, e em palavras curtas e grossas, os gays que paguem a crise! tem tudo para valer uns votos fundamentalistas… Mas isto sou eu a delirar com filosofias pré-socráticas.

Dê por onde der, lembra-me aquele princípio sempiterno de Lavoisier que agora não é para aqui chamado. Por isso, inventei outro: ou fecundamos, ou estamos bem fecundados.

PS (nunca mais!) — Sei que abusei. Mas é o Governo que me inspira a fazê-lo. Peço desculpa por ele.
Sem imagem de perfil

De jorge a 02.05.2006 às 00:53

Eu concordo com o que o Francisco escreveu. Mas, para quem, como eu, começou recentemente a vida contributiva (estranha opção de palavras), a questão premente que se coloca é outra. Enquanto estudava no Secundário, puseram-me reformas atrás de reformas que serviram só para complicar a vida, a mim, aos meus colegas e a quem veio a seguir, e que de nenhum modo ajudaram a uma melhor aprendizagem, antes criaram a confusão de não se saber no início de um ano lectivo como seríamos avaliados no seu fim. Fiz a universidade porque, de certo modo, me foi dito que assim mais facilmente entraria no mundo de trabalho, mas, enquanto advogado, conheci pessoas com trabalhos não qualificados a ganhar dez vezes aquilo que eu ganhava. Agora, que me inscrevi como "Outro Artista" nas Finanças para passar uns recibos de trabalhos criativos, vejo-me obrigado a inscrever-me na Segurança Social. E eu pergunto: com o exemplo que o Estado me tem dado no seu modo de se relacionar comigo, o que me garante sem sombra de dúvida que as minhas contribuições garantirão uma assistência médica capaz e uma pensão de reforma satisfatória? Para quê e o que estarei eu a pagar?

Comentar post




Blog anterior

Aviz 2003>2005


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.