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por FJV, em 02.11.05
||| Saramago.
O Gonçalo Soares, que vive em São Paulo, já leu As Intermitências da Morte, de José Saramago (edição Companhia das Letras):
«A orquestra calou-se. O violoncelista começa a tocar o seu solo como se só para isso tivesse nascido. Não sabe que aquela mulher do camarote guarda na sua recém-estreada malinha de mão uma carta de cor violeta de que ele é destinatário, não o sabe, não poderia sabê-lo, e apesar disso toca como se estivesse a despedir-se do mundo, a dizer por fim tudo quanto havia calado, os sonhos truncados, os anseios frustrados, a vida, enfim. Os outros músicos olham-no com assombro, o maestro com surpresa e respeito, o público suspira, estremece, o véu de piedade que nublava o olhar agudo da águia é agora uma lágrima. O solo terminou já, a orquestra, como um grande e lento mar, avançou e submergiu suavemente o canto do violoncelo, absorveu-o, ampliou-o como se quisesse conduzi-lo a um lugar onde a música se sublimasse em silêncio, a sombra de uma vibração que fosse percorrendo a pele como a última e inaudível ressonância de um timbale aflorado por uma borboleta.»

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2 comentários

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De monica a 02.11.2005 às 22:09

fica a apetecer ler também, mas ainda tenho outros Saramagos em atraso.
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De Anónimo a 02.11.2005 às 21:52

acho que o link não leva a lado nenhum...mas li o post no Gândavo.

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