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por FJV, em 04.03.06
||| Eugénio de Castro. (04-03-1869 > 17-08-1944)












Tive um parque cheio de lagos

Tive um parque cheio de lagos
E de cegonhas brancas, como litúrgicas pratas.
Povoado de aromas vagos,
De murmurâncias de cascatas.
E de figuras de basalto;
Onde, em tanque de ágata, um hidro
De ónix vomitava alto
Uma girândola de vidro;
E onde, soberbos como Núncios,
Com suas caudas de ouro ardente,
Iam pavões, sob quincúncios

De rododendros, lentamente, lentamente, lentamente.

Agora o parque é triste,

cascata calada, os lagos secos:
pelas ruas, por vezes, penas
soltas dos pavões, que se foram
para outros parques.

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