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por FJV, em 06.01.06
||| Vai valer tudo. [Actualizado]
Basicamente, de acordo com a Constança: «A campanha presidencial vai começar precisamente no momento em que o interesse por ela acabou.» Mas, porque há candidatos que não são candidatos, vai valer tudo. Não vão dizer nada de realmente importante; vão ocupar espaço, uma garantia constitucional e televisiva. É um jogo claro e devemos aceitá-lo. O único problema é a lei, não escrita, de que vale tudo sob o pretexto do «instinto político»: frases & insinuações, a coberto da necessidade de fazer campanha; acusações disparatadas e pequenos dislates pessoais sempre desculpados a coberto dessa característica do «animal político»; julgamentos e preconceitos de ocasião transformados em «facto político». Nada que nos espante. Mário Soares insinuou o que quis, na altura, sobre a relação entre Sá Carneiro e Snu Abecassis, com o dedo moralista apontado; depois desculpou-se e a vida continuou -- estávamos em campanha. E durante a campanha, durante esta campanha, vai valer tudo. É a vida. Estejam preparados.

Sobre o episódio-foguetório do «financiamento das campanhas», ler o post do João Gonçalves.


Carlos Azevedo, nos comentários a este post: «Mas Snu, que não tinha a nossa mentalidade (felizmente para ela), não perdoou. Mário Soares, após as eleições que deram a vitória à AD em 1979, encontrou Snu por acaso e esta disse-lhe que não pode haver diferenças entre o comportamento moral de uma pessoa em campanha ou fora dela.»

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3 comentários

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De João Machado a 07.01.2006 às 13:51

Bom, confesso que ler o blog do Francisco depois de saber que faz parte da Comissão de Honra de Cavaco Silva o diferencia das minhas outras referências no comentário político. No entanto, a minha pergunta incide sobre a memória. Lembra-se do que foram Cavaco Silva e Mário Soares? Faz um juízo negativo ou positivo das suas prestações anteriores? E, nesse sentido, esta demagogia táctica reincidente de Soares surpreende-o? Não que alguém deva ser politicamente inimputável, mas isto vale o que vale. Que me diria então da demagogia de Cavaco Silva, com a mitificação do salvador, a figura familiar, a exaltação da pequenez rural, a ilusão de paz institucional, a relação desastrada e pouco transparente com os partidos que o apoiam? Não pode ter double standards, Francisco.
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De António Viriato a 07.01.2006 às 01:24

Mais um exemplo da atitude complacente, por demais compreensiva, rapidamente desculpadora da Comunicação Social com as grosserias de Soares, apesar de toda a putativa fama de homem de salão, mundano e cavalheiresco com que sistematicamente o cobrem. Da mesma maneira, depressa a Comunicação Social esqueceu os remoques marialvistas com que Soares se referiu a Nicole Fontaine, quando esta lhe «roubou» o lugar de Presidente do Parlamento Europeu, na sua desnecessária e pouco prestigiante passagem pelo dito. Serão também os tão enaltecidos critérios jornalísticos que justificarão esta duplicidade de critérios. Imaginem que o episódio dos remoques a Nicole Fontaine tinha ocorrido com Cavaco ou com outro tenebroso Candidato da Direita ? Ainda hoje, certamente, nisso se falaria, com irado tom, aí pelos bastidores da Comunicação Social.
Que longo caminho haverá ainda de percorrer a nossa ultra ligeira Comunicação Social, com os seus briosos critérios jornalísticos, até lograr um mínimo de equilíbrio decente no julgamento dos factos...
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De Carlos Azevedo a 06.01.2006 às 15:20

Mas Snu, que não tinha a nossa mentalidade (felizmente para ela), não perdoou. Mário Soares, após as eleições que deram a vitória à AD em 1979, encontrou Snu por acaso e esta disse-lhe que não pode haver diferenças entre o comportamento moral de uma pessoa em campanha ou fora dela.

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