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Corrigir o passado.

por FJV, em 16.11.22

Universiteit Leiden verwijdert schilderij van Rein Dool - Museumtijdschrift

A ideia de corrigir o passado até dele não restar mais do que uma lembrança inócua é absurda, mas está na moda e traduz o assustador desejo de limpeza e de reparação: tudo o que no passado nos ofende deve ser retirado e escondido. Lembrei-me disto a propósito de um quadro de Rein Dool (1933), “Velhos Fumadores de Charutos”, que representa um antigo reitor e quatro professores universidade de Leiden, nos Países Baixos, e que foi retirado das suas paredes, porque tinha “demasiados homens brancos” e era “ofensiva”. Parte do corpo académico rejubilou, sem entenderem a ironia do quadro. Depois lembrei-me da pobre Salomé, pintada por Lucas Cranach (1472-1553), segurando uma bandeja com a cabeça de S. João Baptista, e que está no Museu de Arte Antiga em Lisboa – talvez seja ofensiva porque o quadro é tão belo que se notam o casaco e o chapéu de peles da neta de Herodes; os “ativistas” pelos animais talvez protestem e queiram retirá-lo. Talvez os talibãs – que demoliram os gigantescos budas de Bamiyan – entendam o desejo de limpeza e moral. Estamos à espera dos bárbaros, há de chegar a nossa vez.

Da coluna diária do CM.

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