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Os forcados de garganta, contra as vacinas.

por FJV, em 03.12.21

Não sou como as pessoas intrépidas, cheias de nervo e prosápia, que continuam a proclamar a sua valentia e indiferença, encolhendo os ombros às cautelas diante da Covid. Lamento muito, mas tenho tanta coragem como medo. Perdi pessoas queridas devido à Covid-19; são minhas as dores, e não uma ocorrência estatística a enfrentar com a galhardia dos que dizem que 20, 30, 50, 100 mortos diários são uma ninharia. Não tenho esse heroísmo bravo, tomatudo e frio de fuzileiro à civil. É verdade que me acomodo; não evito fazer seja o que for, mas não exulto de alegria natalícia comparecendo aos jantares de amigos e de comemoração, às festas de rua ou aos ajuntamentos exagerados. Tenho tanta coragem como medo, e penso que a maior parte dos meus leitores também sofre do mesmo. Poupamo-nos para os dias que hão de vir? É verdade. Evito os outros, de quem sou próximo? Não, nunca o fiz. Agimos com cautela? É verdade. Como diz um amigo que, ao contrário de mim, gosta de provérbios: “Quando o fogo chegar ao rabo não culpem a palha.” Mas o pior de tudo, nisto como na vida, são os forcados de garganta.

Da coluna diária do CM.

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Festividades.

por FJV, em 02.12.21

A maltesa Helena Dalli é, caso não saibam, a comissária europeia para a Igualdade – cabe-lhe zelar para que os europeus se tratem de igual para igual, que mulheres e homens vivam em igualdade e, finalmente, que haja igualdade de oportunidades para todos. Seja como for, num documento oficial, Helena Dalli propôs que os europeus mudassem as suas línguas como se todas fossem iguais (tal como a oposição “ele/ela”, “hu/hi”, em maltês) – e, como se tivesse acabado de fumar substâncias duvidosas, acabar com o uso da palavra “Natal”, substituindo-a por “Festividades”. A ideia de que o uso de “Natal” é ofensivo não tem a ver com multiculturalismo; Natal é Natal. Um judeu não gostaria que o Hanukkah fosse substituído por Festividades, e o muçulmano não usaria esta palavra para Ramadão. Ou seja, estamos a pagar os delírios delinquentes de uma Comissão Europeia que, em vez de resolver questões como a vacinação ou os graves problemas colocados pela bandidagem bielorrussa, se dedica a exterminar o Natal. Parece que, entretanto, na ressaca, a comissária achou que era melhor retirar a proposta.

Da coluna diária do CM.

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O investimento na “arte contemporânea”.

por FJV, em 01.12.21

O que é a Arte Contemporânea? História, principais artistas e obras -  Cultura Genial

Talvez o grande momento de rebelião da arte seja aquele instante – como no caso de Banksy – em que a peça se autodestrói ao ser vendida num leilão. Mas o dinheiro está lá, poderosíssimo, e as peças de Banksy são um negócio brutal – essa peça auto-destruída foi vendida por 22 milhões de euros. Há quinze dias, a venda da coleção de um casal recém-divorciado rendeu cerca de 700 milhões em Nova Iorque – a maioria das peças eram posteriores a 1980, o que significa que o seu valor foi determinado pelo que escreveram certos “críticos”, “curadores”, “comissários” e investidores – um belo negócio para intelectuais com visão. Uma das companhias que negoceia em arte contemporânea, a Masterworks, abriu um fundo para investidores com mais de 100 mil euros, garantindo um lucro de 14% (a um ano), na compra de obras produzidas entre 1995 a 2020. Dinheiro gera ainda mais dinheiro, mesmo que seja sujo, como sempre, mas agora através de “obras de arte” que celebram o protesto contra o capitalismo e se transformam em objetos decorativos na sala de um oligarca ou de um banqueiro. Não há patife encartado que não entre no negócio.

Da coluna diária do CM.

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