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Os palerminhas do 'Libération', lembram-se?

por FJV, em 13.08.19

Não estranhem, mas a história dos maluquinhos já vem de há muito, e sempre em nome de excelentes causas. Ninguém se recorda hoje mas, em março de 1983, o jornal francês ‘Libération’ (um porta-voz dessa espécie) propôs que a ministra dos Direitos da Mulher (no 3.º governo socialista de Mitterrand-Mauroy, e na sequência da sua lei anti-sexista), colocasse no índex o Pantagruel, de Rabelais, As Neves de Kilimanjaro, de Hemingway, Judas, o Obscuro, de Thomas Hardy, toda a obra de Kafka, a poesia de Baudelaire e, claro, Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Porquê? “Provocação pública e ódio sexista.” Toda a obra de Kafka e Baudelaire? Flaubert? Convém lembrar, de vez em quando, que a sanha persecutória que hoje é praticada pelas boas consciências progressistas em nome da “harmonia social” tem raízes profundas na história dos seus desejos. A ministra não acedeu (diz-se que Mitterrand não deixou); mas é importante saber que certas almas defendiam um mundo que não podia ler Kafka, nem Baudelaire, nem Flaubert, nem Hardy ou Hemingway, entre outros. Ontem – no século XIX – como hoje.

Da coluna diária do CM.

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