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Maneirismo e barroco.

por FJV, em 15.07.19

É muito difícil – mas não impossível – apanhar um crítico de restaurantes fora de Lisboa e do Porto. Geralmente, as secções de restaurantes concentram-se muito nas duas cidades porque é aí que há mais “mercado”, mais “clientes” e – o que é normal – mais “novidades”. Grande parte dos restaurantes da capital estão cada vez mais vocacionados para a crítica da especialidade (e para as imagens do Instagram) do que para o repouso, gosto e contentamento da espécie humana. Também se compreende isso, porque bom número dos críticos de restaurantes tem o fervor do experimentalismo, da última novidade (é o dever da imprensa) e também da fuga ao aborrecimento e ao tédio. Forçado a jantar fora uma série de noites (sou definitivamente um animal doméstico), tenho deparado com demasiada comida servida em tábuas ou placas de xisto, “empratada” em camadas e com os mesmos molhos, legumes e cortes em diagonal. Estamos no fim de um ciclo. Os cozinheiros de antanho não eram designers, nem as cozinhas laboratórios; o excesso de conhecimento providencia boas novidades mas comida um pouco para o pateta.

Da coluna diária do CM.

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