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Agustina, num país assim.

por FJV, em 06.06.19

Se a idiotice não existisse abundantemente, precisava de ser inventada, mas com um bom dicionário. Ontem, nas chamadas “redes sociais”, houve quem lamentasse que “a esquerda” não estivesse mais representada no funeral de Agustina Bessa-Luís, porque assim se corre o risco de o nome da escritora ficar entregue “à direita” e à Idade das Cavernas, o que é uma pena porque, como se sabe, todos os escritores – mesmo que não queiram –são “de esquerda” e têm de levar o respetivo pendão regimental, além do carimbo (o que significa que pessoas “de direita” não podem gostar de escritores “de esquerda”, e creio que o seu contrário). Tamanho disparate mostra bem o que se passa com a gente deste bairro. Que Cavaco tenha patrocinado, à sua própria custa (com o infeliz caso Sousa Lara), uma animosidade contra Saramago — é uma coisa que só a ele diz respeito, e que foi um erro apenas explicável porque há absurdos inexplicáveis. Que pessoas média ou até superiormente alfabetizadas se prestem a esta espécie de tontice em redor de um funeral não é uma pena. É o destino de um pobre mundo provinciano. 

Da coluna diária do CM.

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