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Agustina, num país assim.

por FJV, em 06.06.19

Se a idiotice não existisse abundantemente, precisava de ser inventada, mas com um bom dicionário. Ontem, nas chamadas “redes sociais”, houve quem lamentasse que “a esquerda” não estivesse mais representada no funeral de Agustina Bessa-Luís, porque assim se corre o risco de o nome da escritora ficar entregue “à direita” e à Idade das Cavernas, o que é uma pena porque, como se sabe, todos os escritores – mesmo que não queiram –são “de esquerda” e têm de levar o respetivo pendão regimental, além do carimbo (o que significa que pessoas “de direita” não podem gostar de escritores “de esquerda”, e creio que o seu contrário). Tamanho disparate mostra bem o que se passa com a gente deste bairro. Que Cavaco tenha patrocinado, à sua própria custa (com o infeliz caso Sousa Lara), uma animosidade contra Saramago — é uma coisa que só a ele diz respeito, e que foi um erro apenas explicável porque há absurdos inexplicáveis. Que pessoas média ou até superiormente alfabetizadas se prestem a esta espécie de tontice em redor de um funeral não é uma pena. É o destino de um pobre mundo provinciano. 

Da coluna diária do CM.

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Malvadas, boazinhas, pérfidas, generosas, sacanas ou inteligentes e fiáveis

por FJV, em 03.06.19

Um pouco de bom senso no cinema, e logo com o novo 007, que continuará a ser interpretado por Daniel Craig (o melhor de todos). Phoebe Waller-Bridge, a responsável pelo guião, deu uma lição de humanidade e inteligência quando lhe foi sugerido que pusesse uns “pós feministas” na figura de James Bond, para temperar desvios de comportamento ou a forma como ele “trata as mulheres”. Phoebe limitou-se a dizer o óbvio: Bond é Bond, mas as mulheres também são (felizmente) novas e diferentes daquilo que aparecia nos ecrãs nos anos 70 ou 80. Ou seja: ele dirá o que esperamos de James Bond, inglês à maneira antiga, celibatário e, vá lá, com a mania de que nenhuma mulher “lhe escapa”; mas as mulheres (as atrizes Lashana Lynch, Léa Seydoux, olha quem, e a magnífica Ana de Armas) responderão à letra, como pessoas reais deste tempo. No fundo, Phoebe Waller-Bridge pôs as coisas no seu sítio: as mulheres devem agir como mulheres e “educarão” – ou não – James Bond. São malvadas, boazinhas, pérfidas, generosas, sacanas ou inteligentes e fiáveis? Como têm de ser, como têm de ser. Homens e mulheres.

Da coluna diária do CM.

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