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A criação do mundo, por Júlio Dinis.

por FJV, em 19.02.19

A editora Guerra e Paz publicou, na sua coleção de clássicos, um dos autores mais subestimados da nossa literatura. Quando morreu, Eça de Queirós dedicou-lhe uma frase tão genial quanto cruel: Júlio Dinis (1839-1871) viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve (aos 31 anos). A verdade é que Os Fidalgos da Casa Mourisca é o romance mais programático do constitucionalismo – e As Pupilas do Senhor Reitor e Morgadinha dos Canaviais dois retratos (aparentemente inocentes) do regime rural e do país. Já Uma Família Inglesa (de 1868), acabado de publicar, é um dos grandes livros do Porto, um folhetim admirável e romântico que centrado na história de Carlos Whitestone e de Cecília Quintino (e do “anjo” Jenny). Portuenses e ingleses, ricos e remediados, as personagens da cidade burguesa e conservadora entram no romance iluminados pela beleza discreta que Júlio Dinis persegue e acaba por captar sem perceber que o momento é genial. Uma Família Inglesa é um romance para ser filmado sem a perversidade da classe média portuense, mas com parte da sua sabedoria. É um dever relê-lo.

Da coluna diária do CM.

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