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Garrett, apesar de tudo.

por FJV, em 04.02.19

Mesmo que a sua poesia tenha sido sobrevalorizada por razões não literárias (‘Folhas Caídas’ tem momentos de certa valia), restam dois ou três momentos importantes na sua obra e da sua oratória, mas nenhum comparável a Viagens na Minha Terra (e sim, Frei Luís de Sousa vale a pena, tal como alguns versos do Retrato de Vénus). Só por isso vale a pena assinalar que passam hoje 220 anos sobre o nascimento de Almeida Garrett (1799-1854), no Porto. Exilado em 1823, depois da subida ao poder de D. Miguel, só regressa definitivamente a Portugal em 1833, depois de Paris e Londres. Deputado, vagamente ministro, figura do Setembrismo (a ala esquerda do campo liberal), cronista-mor do reino, “renovador do teatro nacional”, literato, orador cheio de verniz, visconde do regime – mas nada se compara às Viagens (1846), um texto desabrido, fora de todos os géneros (misturando-os), que Garrett nunca soube que era mesmo genial e inovador. Geografia, política, literatura, simplificação panfletária, história, incursões autobiográficas, as Viagens têm tudo, até talento. Dá prazer lê-lo. 

Da coluna diária do CM.

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