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O Brasil, teatro de horrores.

por FJV, em 26.09.18

Esta fotografia é importante. O apoio dos evangélicos de Edir Macedo a Bolsonaro não me comove nem enjoa – é banal e esperado, os patifes apoiam-se uns aos outros. Antes de Bolsonaro, Edir Macedo foi um suporte importante de Lula. Aliás, Lula percebeu que estava perdido quando Edir Macedo deixou de atender-lhe o telefone.

 

Os países são aquilo em que se transformam – e o Brasil ameaça transformar-se naquilo que conseguiu não ser até agora, ou seja, uma vasta república sul-americana onde os caudilhos, patifes e pusilânimes podem chegar ao poder central. Antes e depois da ditadura militar (que terminou de forma trágica, com um presidente – Tancredo – que não chegou a ser), ninguém como Bolsonaro, um fanfarrão encartado, ameaçou chegar a Brasília. Muitos como ele (e outros piores, convenhamos) espalharam-se aqui e ali, em prefeituras e governos estaduais – mas a presidência acabaria sempre nas mãos de alguém que conservava o mínimo de senso. A casta dos poderosos brasileiros é uma das mais imbecis da espécie; e a esquerda local, afilhada do PT, vive entre o corrupto leninismo tupi e o folclore dos anos sessenta. Bolsonaro emerge como o chefe de gangue que quer “pôr o país na ordem” – não será eleito na segunda volta, mas forçará a eleger o mal menor. O tempo não é dos moderados (na esteira de Fernando Henrique), mas a culpa é também deles por terem deixado que os demónios emergissem desta maneira.

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Tancos? Pois muito me contam.

por FJV, em 26.09.18

Pois muito me contam. Recordo as sábias palavras com que, há um ano (a 10 de setembro), o senhor ministro da Defesa espinoteou o país: “No limite, pode não ter havido furto nenhum.” Há aqui qualquer coisa de Wittgenstein: ou me dão aqui, já, as armas roubadas, ou não se pode falar das armas roubadas. E elas lá apareceram – mas, no meio de uma garabulha tremenda, em número desigual apareceram parte das que desapareceram, se me entendem, e ainda outras que não tinham desaparecido, como uma espécie de bónus. Com isso, a “instituição militar” salvou a honra do quartel; o ministro salvou a honra do governo; e as autoridades resmonearam: não há aqui nada para ver, é desandar, é desandar, Tancos não aconteceu. Parece que, afinal, houve mesmo um roubo de armas em Tancos – o que, conforme as palavras do presidente da AR, segunda figura do Estado, se revestiu de “momentos altamente cómicos”. Não exageremos, portanto. Roubaram armas em Tancos? E foram militares? Ora. Conforme disse o senhor ministro da Defesa (a 30 de junho de 2017), “não foi o maior roubo do século”. Pois muito me contam.

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A cidade é nossa.

por FJV, em 26.09.18

É muito interessante esta ideia de “a cidade é nossa”, gritada por uns manifestantes e supiníssimos, dedicados amantes de Lisboa. Eu julgava que a cidade era de quem nela vive, de quem passeava nas suas ruas – mas também de quem a visita para aprender a amá-la ou a esquecê-la (depende muito), para fazer negócios com os seus habitantes ou para entregar a sua alma (acontece). Aqueles lisboetas que anunciaram que “a cidade é nossa” (um slogan um pouco xenófobo, não acham?) não o faziam com esta veemência há uns anos, quando o centro estava decrépito, abandonado, entregue à bicharada – e o chão e as paredes dos bairros da moda cheiravam a porcaria. Infelizmente, os números às vezes são chatíssimos; por exemplo, os que dizem que pela primeira vez em muitos anos o número de habitantes do centro de Lisboa aumentou significativamente. As cidades são feitas de trocas e de negociações; e o turismo ajudou bastante a recuperar o centro de Lisboa e do Porto. Às vezes, ao escutar estes slogans fascistazinhos, apetece responder “fiquem com ela”. Mas paguem-na. E, já agora, limpem-na.

 

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