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Basílio de Cesareia e os clássicos.

por FJV, em 25.09.18

Basílio de Cesareia (330-379), uma das grandes figuras do cristianismo oriental, dizia que “a saúde em extremo é perigosa”. Escreve-o num texto maravilhoso, Discurso aos Jovens ou, na versão que acaba de ser publicada por Miguel Cabedo e Vasconcelos, Aos Jovens, Sobre como Tirar Proveito da Literatura (edição da Universidade Católica). São Basílio foi um erudito que amava a música e as letras; conviveu com os clássicos, mas sempre preocupado com aquilo que hoje designamos “realidades sociais”. É uma figura fantástica; atravessou tanto as academias como os silêncios da época, da Síria ao Egito, de Alexandria a Constantinopla, de Atenas à Mesopotâmia. Escreve a certa altura que aprendeu bastante com os homens cultos da Antiguidade “que vos deixaram palavras tais que fazem de vós [jovens] seus discípulos”. Na temporada atual, consagrada ao final do verão, o texto de Basílio é uma cratera aberta no coração das nossas inquietações. Nunca saberemos realmente como tirar proveito da literatura – a não ser a sua respiração. E, mais tarde, fartos de “saúde em extremo”, a sabedoria.

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Tancos: “O que o país precisa é de uma verdade simples de cinco cêntimos.”

por FJV, em 25.09.18

O caso de Tancos preocupa e diverte. Preocupa, naturalmente, porque se trata de armamento não apenas desaparecido mas roubado de instalações militares – e na lista está material para explosivos e munições de 9mm, sempre com boa procura. Diverte porque é uma traquinice: as autoridades clamam ter recuperado material que, inicialmente, estava a mais e que, agora, está a menos. Pelo meio, um ministro kantiano, sorrindo como Falstaff, e admitindo que “no limite, pode não ter havido furto”, uma vez que a realidade (pelo menos na geringonça) é o que quisermos que seja – e, quanto a armas roubadas, vão à internet. Claro que o ministro podia ter dito a verdade, mas preferiu aparecer como um bacano. Thomas Marshall, que foi vice-presidente de Woodrow Wilson, era um bacano semelhante. Quando o aborreciam com questões que deviam ser respondidas com a verdade, ele era lapidar: “O que este país precisa é de um bom charuto de cinco cêntimos.” A frase foi depois recuperada num romance de Saul Bellow, mas podemos adaptá-la: “O que o país precisa é de uma verdade simples de cinco cêntimos.”

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Caligrafia.

por FJV, em 25.09.18

A ideia de que todas as mudanças “são boas” não é seguramente verdadeira – sobretudo no “sistema educativo”, onde as experiências se acumulam depois de produzirem vítimas que dificilmente serão recuperadas. Uma organização independente inglesa, a Education Endowment Foundation, realizou durante três anos um estudo – em 140 escolas do Reino Unido – sobre os efeitos da utilização de iPads ou quadros interativos na sala de aula: a conclusão é a de que se deviam reintroduzir o giz e os quadros negros de ardósia. Os efeitos benéficos têm a ver com uma maior concentração por parte das crianças, mais atenção aos processos, aprendizagem mais sólida, melhoria da relação física com a natureza das matérias e com a ortografia, além de uma maior interação com o tempo e com os outros. Tamanha descoberta (vem no ‘Telegraph’) não me comove por aí além; procede, igualmente, do bom senso, da intuição e da experiência. Estamos a assistir a alguns regressos importantes. Depois de passar a “febre finlandesa” na educação, anseio pelos cadernos de duas linhas estreitas para treino de caligrafia.

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