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Nos carris.

por FJV, em 06.08.18

É pela Linha do Douro que Jacinto e Zé Fernandes, os de A Cidade e as Serras, entram em Portugal vindos de Paris – por Barca d’Alva, Pocinho, Tua, Pinhão e Régua. Aquele “cheira bem” pronunciado por Jacinto ao entrar na velha pátria não podia repetir-se hoje, porque esse troço ferroviário foi fechado há muito. Mas Santa Apolónia continua aberta – é lá que, em Os Maias, Carlos da Maia é salvo pela providência: à partida do comboio para o norte, a senhora condessa de Gouvarinho, sua amante, aparece acompanhada do marido, e ele não tem de inventar desculpas para não a acompanhar numa noite de luxúria em Santarém. Hoje não seria preciso: o comboio provavelmente não partia ou iria avariar no Carregado. Há linhas que encerraram porque, além da concorrência desleal do asfalto (pago pelos fundos europeus) não tinham condições nem passageiros. Mas há outras que fazem parte da nossa vida – e não funcionam. No Crime no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, o comboio imobiliza-se no meio da neve, o que facilita a investigação de Poirot. Em Portugal o comboio não teria sequer partido.

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