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Lendo os capítulos essenciais da “história sexual da América”, o guião moralista repete-se, refém da censura e dos seus traumas.

por FJV, em 15.06.18

Camille Paglia

Os concursos de Miss America deixarão de contar com a prova em fato de banho e, nas avisadas palavras dos organizadores, passarão a avaliar as concorrentes menos pelo “aspeto exterior” do que pelo “interior”. Confesso que não me lembro de ter visto um único desses concursos (que acho razoavelmente pelintras), mas compreendo o júbilo causado por este anúncio. Mas ao contrário: longe de ser uma vitória feminista (basta ler Germaine Greer, a excelente autora de ‘A Mulher Eunuco’, onde criticava estereótipos da feminilidade e à má relação entre as mulheres e o seu corpo), é uma vitória do moralismo americano e do seu horror à beleza, que detesta, também, tanto as novas versões de ‘Os Anjos de Charlie’ como ‘Donas de Casa Desesperadas’ (ou Ursula Andress a sair das águas num filme de James Bond). É o mesmo moralismo que criou a Lei Seca americana e as leis anti-pornografia e anti-liberdade de expressão. Sei que esta posição não é muito popular – mas, lendo os capítulos essenciais da “história sexual da América”, o guião moralista repete-se, refém da censura e dos seus traumas.



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Linguagem truculenta. Não está má,

por FJV, em 15.06.18

 

Mentiu descaradamente. Infâmia. Canalhice. Execrável e peçonhento. Miserável. Pouca vergonha. Conspurcado. Mentiroso compulsivo. Arruaceiro. Insultuoso e inábil. Reles e oportunista. Repelente, indigente e ordinário. Racista ignóbil. Labrego. Abjeto. Tratante. Carraça autoritária. Fenómeno fisiológico. Traidor. Vendido. Sevandija. Bardamerda. Caloteiro e cobardolas. Mafioso. Embusteiro. Sicofanta. Mimado. Presunçoso. Lamaçal de vitupérios. Canalha. Desprezível e infame. Biltre. Venal. Néscio. Infecto. Afrontoso e hipócrita. Espero que tenha apreciado; a escolha das palavras em discursos públicos tem evoluído bastante desde que J. Sócrates inaugurou o seu peculiar estilo no parlamento e desde que no futebol passou tudo a andar em roda livre. A lista que transcrevo é pública (só acrescentei ‘sevandija’, ‘biltre’ e ‘sicofanta’, de que gosto bastante) e tem sido abundantemente multiplicada. Se, por um lado, esta rispidez pode dar algum uso aos dicionários, também é verdade que dá uma ideia de como vai o truculento e hiperbólico debate público lusitano. Que não se poupem.  

[Da coluna no CM] 

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