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Pelourinhos.

por FJV, em 21.05.18

Bom aviso, o de Pedro Correia: «Esses que andam a levantar os novos pelourinhos ainda não perceberam a perversidade da coisa. Alguns acabarão também pendurados neles. Novos Dantons, novos Robespierres: a criatura acabará por ganhar autonomia, virando-se contra os criadores. Seguindo o exemplo da guilhotina, sua feroz mana mais velha.»

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Imobiliário.

por FJV, em 21.05.18

Um casal preparando o seu retiro.

Crónica de costumes, vamos lá. O líder do Podemos espanhol, que é pessoa da minha predileção, muito pespineta e arrivista, decidiu comprar um casarão nos arredores de Madrid por cerca de 600 mil euros. Não me choca; quem tem dinheiro que o use em casas, Maserattis ou chinelos de praia. Neste caso, um empréstimo bancário serve (desde que os eleitores espanhóis continuem a mantê-lo deputado para pagar a hipoteca). Acontece que Pablo Iglésias tem razões ponderosas: quer constituir família com a sua namorada Irene Montero, número dois do partido – e precisam de uma casa ajardinada e apiscinada para que os filhos cresçam como merecem. Esta história de amor reaccionária, ao contrário da de Lenine e Krupskaia, foi submetida à votação do partido: os militantes autorizam ou não? Autorizam, claro; quem não fica sensibilizado com uma história de amor? Querem que eles se demitam, ou não? Claro que não; quem não gosta de ver uma família feliz? Tudo isto é justo e decente. Sem ironia. Os dirigentes da classe operária não hão de querer viver como a classe operária. Em caso de dúvida, faça-se um referendo à vida amorosa dos líderes revolucionários.

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A silly season.

por FJV, em 21.05.18

Um arguido, entretanto vituperado pelo seu próprio partido, e que deixou de ser arguido. Um presidente de um clube de futebol – escuso de me alongar em explicações. Uma invasão de um centro de treinos de um clube de futebol – não preciso de dizer do que se trata. Uma invasão de baratas na Assembleia da República. Uma manifestação de duas pessoas noticiada nas televisões como um grande acontecimento. Uma coligação de banqueiros, financistas, gravatas, moralistas e candidatos a arcebispos, salvo seja – falando sobre futebol, e escuso de explicar mais. Um domingo de grandes transmissões televisivas cinco horas antes do jogo da “festa da taça” – e duas após ele. Políticos e governantes exarando opiniões sobre segurança, violência e conforto no futebol – estou a repetir-me um pouco, eu sei –, enquanto deixam escapar, por entre as pernas (como um guarda-redes de terceira divisão), casos de corrupção e malformação desportiva. Peço desculpa aos leitores, mas a ‘silly season’ que toma conta do verão, todos os anos, começou mais cedo este ano. Eu queria escrever sobre ópera, mas é isto.

[Da coluna no CM] 

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