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Veganocriminalismo.

por FJV, em 03.04.18

Admito que os militantes anti-touradas rejubilem quando um toureiro é morto pelo touro; no fundo, é um dos resultados possíveis da luta entre duas forças da natureza, o homem e o touro – na qual é permitido tomar partido. Mas vale a pena analisar o que ocorreu em França, na semana passada: uma militante vegana declarou-se satisfeita por um terrorista ter executado o funcionário do talho de Trèbes; não por concordar com a ação de Radouan Lakdim, autor do atentado reivindicado pelo Estado Islâmico, mas porque ela via o homem da charcutaria como “um assassino que vende carne de animais”; portanto, a sua execução – como escreveu na net – era um acto de justiça. Este raciocínio é absurdo, sim, mas foi lido por muita gente que, intimamente, concorda com este nível de justiça. Não quero maçá-los, ó leitores, com a conversa sobre como o número de chalados aumentou nos últimos tempos. Mas gostava muito de lembrar-lhes que, se o excesso de legumes e de tofu não prejudica os neurónios, a verdade é que há causas que começam a ser excessivas no seu nível de ressentimento contra a humanidade.



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Nórdicos, tão nórdicos.

por FJV, em 03.04.18

Os tempos favorecem o otimismo; felizes dos que contemplam o horizonte e ele lhes parece promissor. Pode parecer que em tempo de Páscoa fiquei em toada bíblica, mas o caso é de pura ironia (primeiro) e de algum temor (depois). Os leitores sabem fazer contas – e sabem que tudo o que sobe tem tendência a descer. Razão por que me parece importante a notícia de que cerca de 15% dos portugueses aceita fazer um empréstimo bancário para pagar férias e viagens em 2018. Onde é que já vimos isto? Recuemos dez anos – os tempos favoreciam o otimismo e os economistas incumbentes anunciavam décadas de prosperidade, telemóveis, sexo seguro, troca de carros e juros em conta, tudo em abundância. O Presidente da República disse há tempos que éramos “os nórdicos do sul da Europa”; Marcelo não conhece o pessimismo nórdico, cheio de frugalidade e temperança, mas ouviu falar da competência da multidão portuguesa para passar da euforia à estratosfera – e da estratosfera à depressão. Pelas minhas contas estamos na euforia; o mundo é um lugar amável até se iniciar a contagem descendente.

[Da coluna no CM]

 

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