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Reler Aron.

por FJV, em 23.02.18

A Guerra e Paz acaba de reeditar o enorme volume das Memórias de Raymond Aron (1905-1983), um dos grandes génios europeus dos século XX e, juntamente com Sartre e Camus (sem a soberba e a palermice de Sartre, e sem o sentido trágico de Camus), um dos grandes inteletuais franceses desse tempo, com a vantagem de não ser um vencedor do Maio de 68. Falo “desse tempo” e não do “nosso tempo” porque vejo, ao reler essas 760 páginas, como o mundo de Aron já não é o nosso, ao qual faltam cavalheiros das letras, políticos com sentido da história e da comunidade, académicos que aceitem o debate e não a exclusão. Atravessando as guerras do seu século, lutando na imprensa e ensinando na universidade, Aron era um maravilhoso pessimista. No entanto, o seu testamento ideológico antecipa muitos dos problemas de hoje, desde a crise da natalidade europeia ao suicídio da classe política americana e ao triste comportamento dos inteletuais. Aron sabia que o sentido da política, como dos combates públicos, está no desejo de realização e na obrigação de fugir da infelicidade. Tão simples.

[Da coluna no CM]

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