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Citius.

por FJV, em 15.06.10

Pois tu queres ver que as críticas que se ouviram e leram ao Citius, o maravilhoso sistema informático do Ministério da Justiça, eram todas infundadas e não tinham nada a ver com o que se passava, de facto, nos computadores dos juízes e nos tribunais? Pois queres tu ver que era exactamente ao contrário?

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Nigella, o assunto fracturante.

por FJV, em 15.06.10

Provavelmente devia estar ocupado a estagiar para o jogo de hoje da selecção nacional, mas o affair Nigella Lawson tinha ficado por tratar. Não há assuntos como os verdadeiros assuntos, e o assunto é este: a Sofia Vieira descobriu, creio que com uns séculos de conveniente demora, que o programa de Nigella Lawson (o derradeiro, Nigella Bites — o talk show é uma miséria) não tem nada a ver com culinária e gastronomia mas apenas com «badalhoquice». Uma descoberta desta natureza merece aplauso, sobretudo quando se descortinam «mamas, ancas e lambuzice» como elementos constituintes da «programação Nigella» e não, vá lá, «alta cozinha» pelo menos «na sua variante gourmet», o que quer dizer que aquelas meias-horas de cozinha são engodo para atrair homens carentes e rapazes com saudades do tempo em que as mulheres exibiam «a opulência de uma madonna de Rafael», coisa que acho desastrada, uma vez que as mulheres a sério nunca a abandonaram verdadeiramente.

Vamos e venhamos, esta não é a maior descoberta desde que se inventou a penicilina ou iniciou a comercialização da Bimby. Por que razão os homens ficam a sorrir, enterrados no sofá, enquanto a burguesinha Nigella, muito posh (nem por isso), discreteia e assassina os «manuais de boas práticas»? Porque ela encarna tudo o que esses homens gostam, o que já não é pouco: badalhoquice, dedos a pingar, erros de paralaxe, idas furtivas à cozinha a meio da noite — pessoalmente, é verdade que também gosto muito das ancas, das mãos, do busto (digamos assim), dos braços, do penteado, da maneira como inclina a cabeça, da falta de erudição, da mania de beber rosé e da abundância de chocolate.

A «cozinha de homens», a cozinha destes chefs actuais, é muito impositiva e, surpreendentemente, amaneirada — laboratorial, decorativa, cheia de técnicas de empratamento, de arquitectura e de luvas. Os artistas transformaram a cozinha numa «oitava arte» que daqui a uns tempos se esgotará sem novidades nenhumas, seca, circunstancial e mais cheia de maneirismos do que uma modelo anoréctica que vomita quando vê as páginas de gastronomia da Esquire americana, que agora redescobriu «a cozinha de Cape Cod» (cheia de dedos a pingar, chouriços, peixes gordos, batatas, tiras de carne grelhada, ervas). Aliás, «na sua variante gourmet» a cozinha está quase toda igual. A «cozinha de autor», que só pelo nome parece deliciar meio mundo, não é nada «de autor»: está fabricada pelo mesmo escantilhão, com as mesmas manias, os mesmos tiques, as mesmas «reduções», os mesmos truques. Falta-lhe alma, sabor, gordura, inspiração. Mesmo os legumes, são todos iguais e ainda não descobri gente que mais odeie os vegetais do que esta. E os culpados são muitos parvenus de gastronomia que têm falta de mundo, de comunicação e de aprendizagem — e de cozinha. O problema é que grande parte dos críticos de gastronomia não cozinham. Não sabem como é simples cozinhar melhor do que aquilo. Pelo contrário, sem cozinhar excepcionalmente, Nigella obriga-nos a regressar a um «paradigma saboroso» na cozinha: quando não era o resultado de uma histeria nem de um «manual de boas práticas». E cozinhar é sujar as mãos, precisamente, misturar, inventar, invocar, molhar os dedos, provar, lamber a colher, tudo isso. Precisamente ao contrário da «cozinha contemporânea», que é toda igual e está cheia de paneleiricies.

Por que é uma mulher a despertar esta polémica? Ah, claro. Os homens foram sempre grandes artistas na cozinha, grandes técnicos, grandes teóricos. Mas as mulheres foram as escravas da cozinha. Ouço um chef falar dos seus pratos e não me comovo por aí além; lembro-me das avós, das mães, das tias das nossas famílias, que passaram anos, séculos, escravizadas pela cozinha, obrigando-se a alimentar famílias egoístas, machistas e eufóricas, sem serem elogiadas. Nigella é a vingança de todas elas — sensual, bonita, vingativa, opulenta, sedutora. Fala-se da «cozinha dos criadores», mas a cozinha das avós e das mães (tirando a geração de 60, que é uma desgraça que nem a Bimby sabe manejar) é que nos fez crescer a comer coisas substanciais, deliciosas, memoráveis. A minha avó inventava (por causa da falta de dinheiro, por causa da prática da «economia doméstica») pratos a partir de nada, e eram deliciosos. Uma parte dos grandes chefs são os artistas para uma burguesia exibicionista, que é mais ou menos passiva em matéria de gosto, com bolsa mas sem estômago, e sem disponibilidade. Nigella tem 50 anos e tem ancas e mamas. Temos o direito de gostar dela e de sermos insultados por causa dela, mesmo que nunca tenhamos cozinhado um dos seus pratos, incluindo a meia dúzia deles que é comestível.

 

Sofia, minha amiga, uma última nota: que a «cozinha inglesa» seja tradicionalmente considerada uma merda, como tu dizes, estou de acordo. Mas que isso seja um erro crasso, também estou disponível para discutir. De facto, nem só kidney pies e saladas de rabanetes se cozinham em Inglaterra. E estou capaz de jurar (podia recomendar-te um jantar no The Rules) que é uma das grandes cozinhas de hoje, a par do que se come em matéria japonesa, basca, italiana e portuguesa (uma tetralogia e tanto)

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Trabalhos dos últimos tempos.

por FJV, em 14.06.10

Píndaro, Odes (tradução e edição de António C. Caeiro); Vergílio Ferreira, A Curva de Uma Vida (novela inédita); Claudio Magris, Danúbio (tradução de Miguel Serras Pereira); António Manuel Venda, O Sorriso Enigmático do Javali; Aviad Kleinberg, Sete Pecados Mortais. Uma Nova Abordagem (tradução de Miguel de Castro Henriques); Tom Hodgkinson & Dan Kieran, O Livro dos Prazeres Inúteis (tradução de Vasco Teles de Menezes); François Vallejo, Incêndio no Chiado (tradução de Miguel de Castro Henriques), Marta Rebelo, Curtas Metragens; Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini (tradução de Egito Gonçalves); Eduardo Pitta, Aula de Poesia; Ismail Kadaré, Um Jantar a Mais (tradução de Ana Cristina Leonardo); David Byrne, Diário da Bicicleta (tradução de Vasco Teles de Menezes); Luiz Ruffato, Estive em Lisboa e Lembrei-me de Ti; Sérgio Rodrigues, Elza, a Garota; John Micklethwait & Adrian Wooldridge, O Regresso de Deus (tradução de Lucília Filipe); Saul Bellow, Morrem Mais de Mágoa (tradução de Lucília Filipe); James Wood, A Mecânica da Ficção (tradução de Rogério Casanova), Carmen Posadas, A Fita Vermelha.

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Rentes de Carvalho.

por FJV, em 13.06.10

No Diário de Notícias, Rentes de Carvalho explica a Holanda.

Foto © Chris van Houts

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Debate ideológico.

por FJV, em 13.06.10

A vontade de rir que isto me deu. Tema para um prós e contras.

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O hooligan em Danger Point. Green.

por FJV, em 13.06.10

s Inglaterra, 1 ff dddEUA, 1  dd vdvvQuando uma pessoa vê Gerrard a marcar um golo aos quatro minutos e olha para o resto da equipa e contabiliza Terry, Ashley Cole, Lampard, Heskey ou Wayne Rooney, por exemplo, esquece-se de Green – o que é fatal porque foi por aí que ruiu o que tinha de ruir. Estamos habituados a menosprezar os EUA (foi o que aconteceu no Mundial da Coreia/Japão) e, por hábito, liga-se o cronómetro para fazer a estatística do tempo em que a Inglaterra estaria sem marcar golos. Foram, exactamente, 90 minutos — contando com os 4 de descontos. Estive à espera de ver os ingleses a dar uma lição de bola; engano. Não só o antídoto americano foi eficaz, mesmo a jogar medíocre, como a ideia de pôr aquela gente (treinada em passes longos e em velocidade) a jogar à italiana se revelou um logro, sobretudo porque Green não é Buffon, nem Marchetti, nem Toldo. Heskey tentou, Lampard tentou, Wright-Philips (quem?) tentou, mas só Rooney tentou e andou no seu lugar, o que não evitou aquele ressalto no poste (de Altidore) depois de mais uma maravilhosa prestação de Green. Os jogos de abertura são sempre chatos, mas Green, como lembra o Público, não está sozinho.

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O hooligan em Danger Point. Vá lá.

por FJV, em 13.06.10

aaArgentina, 1 ss Nigéria, 0 ff hPerdi os primeiros dez minutos como se ficasse retido nos corredores do estádio por um velho colega de faculdade que já não via há vinte e oito anos e que era insensível aos festejos das bancadas quando apareceu o golo de Heinze. Escrevo «apareceu» porque suponho que foi isso que sucedeu mesmo. Dizem-me que foi a seguir a um canto, mas não tenho garantias. Uma pessoa nunca pode fiar-se no que lhe dizem quando se trata da Argentina, sobretudo porque toda a gente tem opiniões sobre a Argentina, em especial aqueles que gostam do Brasil e querem ver os argentinos esmagados ou, pelo menos, ridicularizados – na mesma percentagem dos que já não suportam os brasileiros e querem que a Argentina ganhe tudo, mas não têm coragem de dizer isso aos vizinhos. A tentação é a de dizer o que eu disse na ocasião: a Argentina de Maradona ganhou mas o futebol daquela orquestra de grandes talentos foi uma desilusão; ter Messi, Milito (que só entrou no fim), Tevez, Verón e Higuaín (e dispensar Cambiasso e um génio como Zanetti, o pêndulo admirável) e adormecer-nos daquela maneira, merece castigo. Pode ser. Mas a verdade é que Messi também tem razão quando se justifica com o nervosismo da estreia, o que não explica a total ineficácia do lado esquerdo do ataque, que não funcionou ou porque ninguém passava a bola para lá (com medo), ou porque o lado direito era mais eficaz (para compensar o lado esquerdo). Vão lá ver quem jogava pelo lado esquerdo e confiram; não sou hooligan por acaso. A vox do povo falou de uma orquestra afinada, e de facto lá estavam os instrumentos, lá estavam Higuaín (só eu vi-o a falhar três golos) e Messi (com dois) a fazer pontaria a Enyeama. Isso pode ser, mas a verdade é que nos últimos dez minutos Obafemi Martins e Uche podiam ter arrumado a questão e nunca é de fiar. Que Maradona fume o seu charuto mas não venha gabar-se.

 

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O hooligan em Danger Point. Sorrisos.

por FJV, em 13.06.10

s Coreia Sul, 2 ff dddGrécia, 0  dd vvvVi os dez minutos finais e festejei com a repetição do golo de Ji Sung Park. Em jogos decisivos, Fergusson põe o rapaz a jogar mesmo que não tenha aparecido no relvado nos últimos jogos oficiais. Os sul-coreanos são aplicados, parece. Fundamentalmente, o estilo de jogo da Grécia pareceu-me igual ao de 2004 só que sem a inspiração do seu futebol à Scolari. Foi assim que ganhou o Euro o que, em circunstâncias destas, leva sempre um português a sorrir.

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O hooligan em Danger Point. Bof. Muslera.

por FJV, em 12.06.10

aaUruguai, 0 ss França, 0 ff hUm jogo maçador, fundamentalmente por causa de dois falhanços de Diego Forlán e da entrada de Henry, que não conseguiu nem o penalti nem um golo com a mão. Nos últimos instantes, pensei que Forlán poderia marcar com a mão e deixar os franceses à beira de um ataque de nervos, mas o ruído das vuvuzelas deve ter a sua influência. O meu editor italiano, Giorgio Di Marchis, é um laziali à antiga (dos que prefere que o Internazionale ganhe à Roma do que aturá-los durante um Verão inteiro – como eu o compreendo) e deve ter apreciado Muslera, a quem daqui mando um abraço e a recomendação para trocar os collants amarelos de lycra ou nylon (devem ser de três quartos) e para se pôr a par das últimas tendências. O empate serve a 100% os objectivos da França, que passam por três empates na fase de apuramento mais duas vitórias por um golo de vantagem nos penaltis na fase final até chegar lá. Lá. O árbitro era muito simpático e durante o jogo um dos meus filhos manifestou simpatia pela França, o que me levou a, com o cavalheirismo de um sportsman tolerante, ameaçar com um pequeno corte na semanada e proibição de sair à noite até um dia destes. Felizmente, enquanto explicava à audiência o nascimento da maravilhosa república cisplatina onde, segundo algumas fontes, nasceu o tango (coisa que eu invoco sempre que se fala de Buenos Aires; é a pergunta do costume feita a um argentino, «e olha lá, em Buenos Aires também se dança aquela música de Montevideo, o tango?»), uma semicriação portuguesa, o jogo chegou ao fim e pudemos dedicar-nos a jantar.

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Onde está Mohammed Saeed Al-Sahhaf?

por FJV, em 11.06.10

Teixeira dos Santos: «Mr Teixeira dos Santos said the government was considering revising labour legislation to make it more flexible.»

Vieira da Silva: «Vieira da Silva afirmou hoje que “não está em cima da mesa” qualquer alteração à legislação laboral.»

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Lulização.

por FJV, em 11.06.10

É tão grande a quantidade de contradições, mentiras, deturpações, interpretações duvidosas e silêncios — que vai ser difícil batalhar por conclusões limpas e claras. Estamos a caminho da lulização da política portuguesa: todas as CPI demonstram que há ilegalidades, mentiras e atropelos à decência, mas quem dá o passo decisivo? É a banalização da manigância.

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O hooligan em Danger Point. Vuvuzelas.

por FJV, em 11.06.10

aaÁfrica do Sul, 1 ss México, 1 ff hNão é estranha é a quantidade de comentadores que vai falar das dificuldades «da transição ofensiva» e do alto valor teórico da selecção mexicana, diante do baixo valor teórico da sul-africana. Sobre o primeiro dos axiomas, registe-se que nunca houve problema com as transições ofensivas; quanto ao valor teórico das selecções, é uma escala que não tem aplicação numa fase final. Pareceu que Parreira tinha uma ideia fixa — aguentar quarenta e cinco minutos e não se maçar durante o intervalo. Conseguiu. O México marcou com dificuldade depois de ter desperdiçado quatro lances nos primeiros vinte minutos do jogo, por absoluta cerimónia. Giovanni dos Santos pode vir a ser um bom jogador naquele grupo de mariachis que andaram no campo ao ritmo de um grupo de bebedores de mezcal de Oaxaca — ora cheios de pressa, ora de cabeça perdida.

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O hooligan em Danger Point. Televisão.

por FJV, em 11.06.10

A única forma de justificar a paciência que ainda tenho para o Mundial é o facto de não ter visto televisão (tirando duas gravações de Nigella Lawson, um episódio do House e um frente-a-frente com Mário Crespo) nas últimas duas semanas. Não vi as reportagens sobre o que comem os jogadores, como são os quartos de hotel, a qualidade do relvado durante os treinos, que música ouvem e que jogos de computador usam. Não tenho visto as mesas-redondas (mas devem ter sido criticáveis, e hoje participo numa) nem as imagens do autocarro lusitano e do hotel da rapaziada. Limitei-me a preparar comida com antecedência, para poder ver os jogos todos deste fim-de-semana, antes de ser amparado e levado para recuperação.

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O hooligan em Danger Point. Cabelo.

por FJV, em 11.06.10

O editor de desporto do Times queixava-se outro dia da forma como a BBC escolheu os comentadores do Mundial: eram todos profissionais ou ex-profissionais do futebol e tinham doutoramentos em jogo corrido pelas alas ou em passes longos e defesa concentrada à maneira do Tottenham dos anos setenta. Ex-futebolistas, ex-técnicos e ex-pessoas, no fundo. Para isso (explicar por que razão Simão não pode entrar sempre pelo mesmo ponto da área, por exemplo), bastavam dois deles (o outro mencionaria coisas como «transposição defesa-ataque», «a bola escapa-se pelo eixo da defesa» ou «basicamente ainda não marcámos porque Deus é da Costa do Marfim») e desocupavam-se os estúdios. Por exemplo, alguém que abordasse assuntos praticamente metafísicos como o penteado dos jogadores – o de Liedson, que exige «pente 3», e as cristas no tecto da cabeça de 70% da selecção nacional. Não compreendo como, observando com alguma minúcia o cabelo de Djaló (que não está lá), não se atiraram a eles com um barbeiro à antiga portuguesa, capaz de em cinco minutos resolver o problema. Eu, que passei um ano a pedir a cabeça de Belluschi para a entregar ao barbeiro, e que teria impedido a entrada em campo de Hulk por vários motivos mas um deles seria o seu corte de cabelo nos últimos jogos (a imitar Belluschi), não compreendo como Queiroz não se preocupa com isto, em vez de andar a pensar como há-de meter a selecção a jogar à maneira do Sporting que perdeu com o Benfica (o 6-3, lembram-se, certamente).

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O hooligan em Danger Point. Comecemos pelo melhor.

por FJV, em 10.06.10

O pior deste Mundial, até agora. As vuvuzelas, os jornalistas portugueses histéricos com os assaltos e a insegurança, o medo do jogo contra a Costa do Marfim, os noticiários da rádio,a ameaça de explicadores de futebol na tv portuguesa, os cromos da Panini esgotados, Maradona.

 

O melhor deste Mundial, até agora. As lesões democraticamente distribuídas por várias equipas, Vanessa Carreira, as colunas de opinião do Daily Telegraph, a memória de An Yong Hak.

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Revista de blogs.

por FJV, em 10.06.10

«Portugal não é uma pátria. Portugal é um pretexto para o ódio que, não sei porquê, habita no peito dos portugueses. Vivemos consumidos por este ódio selectivo que apenas selecciona como alvo outros portugueses. O português é o lobo do português.»

Henrique Raposo

 

«É público e já chegou às revistas que abomino qualquer tipo de expressão desse desporto colectivo que é o futebol. Não suporto os clubes, os adeptos nem a selecção.»

Tiago Moreira Ramalho

 

«Frases (longa) da semana (so far): “Uma escola descentrada da sala de aula”. Como se não bastasse toda a doutrina implícita nestas breves oito palavras, a frase explica-se em crescendo “em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca”, acabando neste climax intelectual que promete novos mundos e novas visões: “e discutindo projectos”. E nós tão sossegados e desatentos sem nos darmos conta destes sonhos e destas visões geniais. Discutindo projectos, quem diria, hein?»

Joana Carvalho Dias

 

«Guardiola, por exemplo: amou o seu Barcelona e foi sempre um senhor a defender aquela camisola; Mancini: um símbolo da grande Samp de Vialli e Lombardo, vice-campeã da Europa, mas um senhor a defender todas as camisolas que vestiu (talvez por isso quando regressou ao Luigi Ferraris com a camisola da Lázio, tenha sido ovacionado de pé); Schuster: só me lembro dele no Atlético de Futre, mas a memória é de guerreiro; Maradona: o maior de todos e de sempre; Rijkaard: ídolo da minha infância pelo golo que marcou ao Benfica no Pratter e o melhor jogador que alguma vez passou pela sala de imprensa de Alvalade; ou ainda Zico, Van Basten, Mikhailichenko, Fernandez, entre outros. O que é que transportam: histórias, glórias, memórias, sucessos. Sem isto o futebol não presta.»

Bernardo Pires de Lima

 

«O problema de Portugal é ter os jogadores errados não só para os jogadores certos que tem, como também para os outros jogadores errados, e ter o treinador errado tanto para os jogadores certos como para os errados, mas ainda assim o suicídio seria nesta altura precipitado. Os três jogos de preparação efectuados contra sucessivos fardos do homem branco mostraram, mais do que circunstanciais dificuldades físicas (tirando o Miguel, que está um trambolho, o resto parece-me tudo dentro das normas vigentes) uma assustadora ausência daquela dinâmica telepática que qualquer equipa a jogar só com 3 pessoas no meio-campo precisa para disfarçar o facto de só jogar com 3 pessoas no meio-campo.»

Rogério Casanova

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Danger Point, lesões & contrapontos. 1

por FJV, em 10.06.10


 

Discutirei todos os jogos, incluindo aqueles que não vou poder ver (sobretudo esses). Em Danger Point a bola parece mais próxima de nós. Cada jogo será um degrau no parnaso futebolístico. Estou em estágio; amanhã serei latino-americano, acompanhando o Uruguai (naturalmente) e o México (aí está). Para me apoiar, a colecção de cromos quase completa, a sessenta cêntimos a carteirinha. Não haverá lesões suficientes para fazer um contraponto ao patriotismo. Amor e dedinhos dos pés.

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Relato.

por FJV, em 10.06.10

Pela estrada fora, ontem, de carro, ouvi os relatos dramáticos e atormentados dos jornalistas portugueses de rádio enviados à África do Sul e que, ai de nós!, ai deles!, foram assaltados, ou testemunhas de um assalto, ou estão a menos de cem metros de um assaltado. Que frisson, ser assaltado na África do Sul. No entanto, eles estavam zangados. O mundo é injusto. Que assaltem e assassinem emigrantes portugueses na África do Sul, é uma estatística; mas, caramba, um jornalista destacado para o Mundial, esse evento que devia fazer parar o universo, obrigar os assaltantes a umas férias, interromper a violência, morigerar os larápios? É uma falta absoluta de senso. Ainda por cima, a polícia demorou a chegar. Ainda por cima, a polícia adiou por diversas vezes a conferência de imprensa em que devia prostrar-se (espero que tenham ouvido um jornalista em histeria, contando estas peripécias, ai dele, ai de nós – tanto, que foi interrompido pelo pivot, em Lisboa) em homenagem à classe. Que falta de senso, a da polícia, que não largou os trinta e dois assaltos e vários homicídios que houve nas redondezas para se dedicar em exclusivo a falar para os microfones das estrelas – um assalto, caramba, um assalto, que frisson. Ainda por cima, vejam bem, a polícia recuperou 90% do material roubado e enviou um destacamento para proteger os jornalistas que, de imediato, eu ouvi bem!, passaram a protestar contra a vigilância policial porque se sentiam inseguros. Parece que um comandante disse, entretanto, que a violência crime «já cá estava antes do Mundial e estará no Mundial», que despautério, que abuso, que falta de noção – então vai a rapaziada comentar as glórias da bola, e este homem chama-os, assim, à bruta, à realidade? Sinceramente, isso não se faz. Quando muito, interrompia-se a África, propriamente dita, até que os jornalistas acabassem de transmitir os relatos e depois, só depois disso, os assaltos e os homicídios que fossem paulatinamente retomados, com a bonomia habitual, para que – de Lisboa, nas almofadas das redacções, entre graçolas – se riscasse o assunto da agenda com o argumento de que ninguém quer saber de outro tipo assassinado ou de um portuga baleado à porta de casa, além do mais são emigras, quem é que se vai importar? Assaltar um jornalista? Que falta de senso.

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Coisa fresca.

por FJV, em 08.06.10

A 26 de Junho de 2005 Eduardo Prado Coelho recordava — na sua coluna de então, «O Fio do Horizonte», no Público — uma afirmação de Sócrates depois da demissão de Guterres. O actual primeiro-ministro dizia, então, que os «eleitores querem é uma hipótese mais fresca».

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Acasos, 31.

por FJV, em 08.06.10

 

Great Lake Swimmers, «To Leave It Behind»

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